Segunda de Carnaval
Pois é, segunda-feira, cidade vazia. O carro enguiçou, algo a ver com a bateria. Nada demais, só pra lembrar que baterias novíssimas também estragam, e não tem nada a ver com samba. Tento escrever algo que preste, não sai nada. Faz calor, calor, calor. Piscininha de mil litros, ventilador de teto ligado o tempo todo. Tenho de escrever, preciso. Mas o cérebro parece uma passa de uva, não sai nada. Tive uma vez um desses achaques, o famoso "writer´s block", e me pareceu que nunca mais ia escrever nada. Me queixei pro mestre amado, que também é mestre de vida, e ele sentenciou que era assim mesmo, que escritores são sempre escritores, mesmo que dê pane temporária. Acontece que escritores escrevem, e parece que a gente tem de sempre estar validando uma espécie de título de pompa a que a gente fez jus num momento produtivo.
Ai, Assis, o texto não me sai. Vou te escrever para que me digas de novo que um escritor é sempre escritor.