Sexta-Feira da Paixão. Ruas quase desertas, bacalhau na mãe, vinho tinto. Não sei como se comemorava nas outras casas a tal sextga-feira esta. Na minha, como sou judia, era a oportunidade que a gente tinha de viajar. Lá íamos nós, a bordo do Galaxie do pai, para Punta del Este ou para Montevidéu. Para quem se lembra, no rádio só era possível escutar música clássica, tudo muito comportado. Só depois de casada, fui entender o que se faz e o que é a data. Um atraso na minha formação. Hoje em dia, para acompanhar o resto do mundo, a mãe faz bacalhau. E a gente come. E pronto, acabou o feriado.