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Quinta-feira, Março 24, 2005

 

Tânia Rösing fugindo do debate. Por quê?

Pois a tal carta aberta à Tânia Rösing (no post anterior, pra quem ainda não leu) continua sem resposta. Aliás, uma leviandada da parte da Tânia, a quem sempre atribuí uma civilidade e uma capacidade de diálogo comparáveis à força de trabalho que ela demonstra. Por enquanto, nada. E não considero que uma demanda minha -- ou de qualquer outro escritor --- mereça ficar sem resposta. Enviei uma resposta à falta de resposta. Eis aí:

Prezada Tânia,
depois de receber apreciável quantidade de emails de autores gaúchos apoiando minha correspondência a ti dirigida no dia de ontem, 22 de março de 2005, (aquela alertando sobre a ausência de escritores gaúchos na Jornada), ainda sinto a falta de uma resposta à mensagem em causa. A despeito de ser carta aberta, ainda assim era carta destinada a ti, organizadora do evento. Foi carta aberta porque creio que falo em nome de uma esmagadora maioria de autores que gostariam de estar em Passo Fundo dialogando com seus pares e porque acho que esse tipo de discussão merece ser estendida à comunidade literária. Mas, antes de tudo, repito, era carta dirigida a ti. Eu teria merecido, por civilidade mínima, uma resposta que iniciasse a sempre bem-vinda discussão. Afinal, trata-se de uma escritora gaúcha conversando com a coordenadora da Jornada de Passo Fundo. Sei, melhor do que ninguém, o quanto aprecias o debate e a troca de idéias.
Até aqui, sequer te dignaste a te manifestar, e não creio, com franqueza, que desdenhes de qualquer correspondência minha, uma vez que, estou convicta disso, sabes quanto prezo a Jornada, na qual, inclusive, já tivemos oportunidade de trabalhar juntas.
Procurou-em há pouco um jornalista, perguntando-me se a carta em apreço de fato era de minha autoria. Louvável a iniciativa do jornalista: checar as fontes e a procedência das informações. Mas o telefonema deu ensejo a que o mesmo jornalista me comentasse que a Jornada está divulgando uma lista de autores gaúchos participantes. Desnecessário, pois uma simples visita ao site da Jornada e a biografia dos autores convidados dá uma clara visão da quantidade de autores gaúchos, nacionais e estrangeiros. De qualquer forma, me ressinto: enviaste a lista (que é de convidados, lato sensu, enquanto falo de autores, stricto sensu) a um veículo de comunicação e não a mim, que a ti me dirigi de forma direta e sem nenhum subterfúgio escuso. Insisto no ponto: há número ínfimo de autores presentes.
Dei-me ao trabalho de uma contabilidadezinha: dos 125 autores listados na Jornada e Jornadinha (sim, há uma série de eventos paralelos, como um encontro da Academia Brasileira de Letras, cursos e encontros), menos de 10 são autores gaúchos. Nos eventos de maior destaque, os que acontecem no Circo da Cultura, no Palco de Debates, não há autores gaúchos. Ali, naquele palco, acontece o grande evento. Ali, de frente para o picadeiro que acolhe 4 mil espectadores, a Jornada ganha estatura e sentido. As demais atividades, todos sabemos, têm público reduzido, fato a lamentar e a ser corrigido em outras edições. Por mais que enumeres quem participou e quando da Jornada, sempre o fato vai ser o mesmo, nunca vai ser alterado: os autores gaúchos não estão lá, e se estão, ainda são em tímida minoria.
Não sei o que acontece que não me vem nada mais teu e de ti somente sei por terceiros, mas ainda estou no aguardo. Inisisto no diálogo e no debate. Quer jeito melhor de a gente melhorar?
Novas saudações literárias,
Cíntia Moscovich


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