O diálogo abaixo, juro, aconteceu. Dêem uma olhada.
Filha telefona para a mãe.
— Mamãe, como vai a senhora?
— Assim, assim. Mais ou menos. E você?
— Torci o joelho na aula de ginástica.
— Torceu o joelho? Mas o que você fazia na aula de ginástica?
— A senhora foi comigo ao médico. Ele mandou eu me exercitar.
— Você vai à ginástica porque é uma folgada. Nunca trabalhou.
— Como assim?
— É, é isso mesmo. Você nunca trabalhou, nunca fez nada, recebeu tudo pronto.
— Mamãe, eu me mato trabalhando. E o meu joelho com isso tudo?
— Você vive nessa casa, porque eu trabalhei, porque eu dei duro para manter as coisas todas depois que seu pai morreu.
— E o meu joelho?
— Ah, agora quer mudar de assunto. Não quer ouvir a verdade.
— Que verdade, mamãe?
— Você não sabe? Não quer admitir que quem fez tudo fui eu.
— Mamãe, a senhora. Não está me escutando. Eu machuquei meu joelho.
— Pois é. Ao invés de dar duro como eu fiz a vida inteira, vai à ginástica. Você não tem vergonha na cara, não tem consideração comigo. Depois de tudo o que eu fiz.
— Mamãe, eu estou lhe contando que machuquei o joelho.
— Que joelho?
— O direito.
— Então porque você não fica em casa?
— Mamãe, eu ESTOU em casa. Com dor no joelho.
— Está em casa porque eu trabalhei para que você tivesse casa.
— Mamãe, eu tenho de desligar.
— Já sei, não quer ouvir o que eu tenho para dizer, não é? Seu irmão está deprimido. E também estou deprimida, tenho contas para pagar e não tenho dinheiro.
— Mas meu irmão está deprimido faz tempo, uns cinco anos. A senhora, já nem sei quantos anos faz que está deprimida e que não sabe como pagar as contas.
— Depois de tudo o que eu fiz, ainda tenho de ouvir esssas coisas. Eu estou deprimida porque ninguém reconhece o meu esforço. Para que criar filhos? Se eu tivesse que fazer tudo de novo, ia viver a minha vida, não ia me preocupar com o futuro de vocês.
— Adeus, mamãe.
Do outro lado da linha, o telefone é desligado. Sem uma palavra.