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Quarta-feira, Abril 13, 2005

 

A poeta, água na pedra

Cm relação à causo Tania Rösing, ainda (isso não pára: já nem agüento mais a discussão, na qual pateticamente a maior envolvida, acima do bem e do mal, não se manifesta). Continuo recebendo telefonemas e emails. Informações de colegas da imprensa, de todos os veículos, relatam-me que, procurada, La Rösing prefere não se manisfestar. É um direito dela não dar entrevista. Legal, mas imoral, como se sabe
No meio disso tudo, recebo a bela mensagem, que reproduzo abaixo, assinada pela poeta Maria Carpi. Vejam só que doçura:


"Minha pequena notável:

Tenho acompanhado o teu desejo de dialogar com Tânia. Dizes as coisas com lisura e gostarias de ser correspondida. E o silêncio impera. Mas insistes. Essa tua insistência torna o diálogo valioso e cristalino: a água na pedra. Tudo na vida, se observarmos melhor as coisas ao derredor e em nós mesmos, acorda porque insistimos. A paciência do lavrador. Ou a paciência ardente de Rimbaud.

Queres que o escritor gaúcho seja reconhecido em sua terra. É quase ir contra as escrituras: nenhum profeta é aceito por sua gente. Não foram Lila Ripoll, Santiago Naud, Walmir Ayala, Lara de Lemos, Alceu Wamosy, Heitor Saldanha, só para citar alguns poetas. Mas tu insistes. É preciso dar um passo mais fundo. Se não te ouvirem pela razão, vão te ouvir pelo cansaço. E o cansaço da rocha já é um começo de lucidez. O cansaço de não ouvir e continuar não ouvindo. O cansaço de ordenar as coisas sem a outra voz, o outro olhar, o outro rosto. Mas tu insistes.

Tens a insistência de uma verdadeira israelita, a que move montanhas. E a nobreza de que teus companheiros de ofício sejam respeitados no sagrado direito de encontrar o seu público leitor.

Com gratidão,
Maria Carpi"


Comentários:
minhas caras Cínta e Maria:
não está parecendo a vocês que o silêncio também está sendo a regra no lado de cá? Será que tem alguém sonhando com um pratinho de lentilhas em 2007?
 
Apesar da falta de respostas de "La Rösing", continuamos apreciando as suas manifestações, bem como os desdobramentos.
Uma pena que falte humildade para o debate acontecer, ou talvez falte argumentos!
 
Sei lá, companheiro Tailor. Mas o pessoal custa a se manifestar e se mexer. Lentilhas, minha mãe faz super bem. Agora: que tola, La Rösing. Por essa e por outras é que ela tem um monte de desafetos. Quem não aprende o diálogo, fica falando com o próprio umbigo.
 
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