Cm relação à causo Tania Rösing, ainda (isso não pára: já nem agüento mais a discussão, na qual pateticamente a maior envolvida, acima do bem e do mal, não se manifesta). Continuo recebendo telefonemas e emails. Informações de colegas da imprensa, de todos os veículos, relatam-me que, procurada, La Rösing prefere não se manisfestar. É um direito dela não dar entrevista. Legal, mas imoral, como se sabe
No meio disso tudo, recebo a bela mensagem, que reproduzo abaixo, assinada pela poeta Maria Carpi. Vejam só que doçura:
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Minha pequena notável:
Tenho acompanhado o teu desejo de dialogar com Tânia. Dizes as coisas com lisura e gostarias de ser correspondida. E o silêncio impera. Mas insistes. Essa tua insistência torna o diálogo valioso e cristalino: a água na pedra. Tudo na vida, se observarmos melhor as coisas ao derredor e em nós mesmos, acorda porque insistimos. A paciência do lavrador. Ou a paciência ardente de Rimbaud.
Queres que o escritor gaúcho seja reconhecido em sua terra. É quase ir contra as escrituras: nenhum profeta é aceito por sua gente. Não foram Lila Ripoll, Santiago Naud, Walmir Ayala, Lara de Lemos, Alceu Wamosy, Heitor Saldanha, só para citar alguns poetas. Mas tu insistes. É preciso dar um passo mais fundo. Se não te ouvirem pela razão, vão te ouvir pelo cansaço. E o cansaço da rocha já é um começo de lucidez. O cansaço de não ouvir e continuar não ouvindo. O cansaço de ordenar as coisas sem a outra voz, o outro olhar, o outro rosto. Mas tu insistes.
Tens a insistência de uma verdadeira israelita, a que move montanhas. E a nobreza de que teus companheiros de ofício sejam respeitados no sagrado direito de encontrar o seu público leitor.
Com gratidão,
Maria Carpi"