Chove em Porto Alegre. Como chove. As plantinhas estão afogadas, raízes nadando. E a gente aqui, tendendo a se encochar.
Nesses últimos dias, tenho escrito ou tentado escrever. Lendo
Bartebly e companhia, do espanhol
Enrique Vila-Matas, linda edição da Cosac e Naify, livro que me foi indicado, claro, pelo mestre Assis Brasil.
É um livro sobre o Não -- maiúsculo. Não escrever, não seguir adiante com a carreira literária, como fez, por exemplo, o Salinger. Vila-Matas pega o personagem-escrivão-copista do Melveille e transpõe para agora, para já, para essa época de computadores e celulares. Mas é uma escrita lenta, cuidada, ofício de quem conhece o ofício, sem o apelo da novidade pela novidade. São pequenas notas, que ele chama de rodapés, mas que são rodatetos, falando sobre a parede literária.
Mais do que a coragem de escrever, fica-se entendendo, a coragem de não escrever é o desafio.
Tipo assim: quem não tem mais o que dizer, que saiba calar a boca e a pena na hora certa. O resto será só silêncio. Parando de escrever, muito autor faz um baita serviço para a humanidade.
Recomendo vivamente.
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E vamos seguindo. Alguém aí anda com interesse sobre oficinas de criação literária? Quem estiver a fim, diga. Estamos montando uma nova.