Pois falava do
Sofitel, o hotel da
Bienal do Rio. Não há como a
Ivana para descrever. Com todo o respeito pela colega, de quem acabo de ler o maravilhoso
Ao homem que não me quis, me atrevo a comentar o chiquê das acomodações. No quarto da Ivana, pelo que ela conta, eram duas camas de solteiro. No meu quarto, como eu ia com meu avec, cama de casal.
De casal, maneira de dizer.
Uma coisa imensa, um latifúndio fofo, onde cabiam, sem exagero, três pessoas esparramadas (até três travesseiros foram colocados. Sei lá se alusão à tal coisa a três aquela). Sacada, abajures, lâmpadas de cabeceira, frigobar, banheiro com direito a roupão, espumas de banho, coisital. Lençóis de percal, aqueles com toque de seda. Até um pecado deitar.
Café da manhã com direito a ilhazinha
O café da manhã era farto: pães, bolos, bolachas, queijos, fiambres, manteigas, geléias, croissants, brioches. Numa ilhazinha, um moço paramentado fazia omeletes e waffles. Os omeletes eram daqueles crocantes e fofinhos. Para garantir o dia.
Em resumo: já na chegada, a gente foi tratado como rei. Mesmo que seja uma exceção em nossas vidas, e por ser uma exceção em nossas vidas, a hospedagem no hotel de sheik árabe, com direito ao marzão lindo de doer, com direito a Copacabana linda de doer, foi um carinho que a Bienal fez a seus autores.
Mais um dos muitos carinhos.
Jantando em Copacabana, no Leme e no Leblon
Uma das coisas mais bacanas que um evento literário pode propiciar a seus convidados é o encontro. Encontro assim, sentido amplo: do escritor com seus leitores, do escritor com os editores, do escritor com agentes literários, do escritor com outros escritores. Foi o que a gente fez: a gente se encontrou.
Na primeira noite, nos encontramos com a Adriana Lunardi (do inacreditável Vésperas) e com o Max Mallmann (do maiúsculo Síndrome de Quimera) no Manoel e Juaquim e que fica na Atlântica com a República do Peru (a rua). Chope, chope e chope. E uma conversa de se rolar de rir.
Na segunda noite, jantar com Lívia Garcia-Roza (que acaba de lançar o imperdível Restou o cão, pela Companhia das Letras) e Rosa Amanda Strausz (que acaba de lançar Teresa, excepcional biografia de Santa Teresa), papo que me rendeu dor de cabeça de tanto pensar. Foi no La Fiorentina, no Leme. Coisa muito boa.
Na terceira noite, jantar com os editados da Record, capitaneado pela Luciana Villas-Boas, no Mario´s do Leme. Fomos nós, claro, o Marcelo Carneiro da Cunha, o Luis Ruffato, a Simone Ruffato, Alberto Mussa (que eu não conhecia. Só sabia que ele tinha ganho o Casa de las Américas com O Enigma de Qaf, que já comecei a ler e recomendo), Stéphane Chao, que é agente literário, e mais uma agente literária alemã (cujo nome, por ser em alemão, não sei escrever). Uma convivência necessária, imprescindível.
E conhecemos o Miguel, filho da Luciana, uma das crianças mais lindas que já vi na vida. Parecido com a mãe. Uma graça.
No domigo, fomos ao Informal no Leblon. Mussa, Chao e Ana Maria Santeiro, além de nós. Mais cerveja.
E, como era a finaleira, começou a esfriar e esfriar.
De renguear cusco
O frio e a chuva eram tamanhos naquele final de noite, domingão, que dei de mão numa jaqueta que encontrei no banco traseiro do carro do Mussa (a gente ficou íntimo de um dia pro outro). Era, dizia-me o Mussa, do Antônio Torres ou do Bernardo Ajzenberg. Pelo tamanho, era do Bernardo, o Bera.
Me senti abrigada pela jaqueta. É outra coisa colocar casaco que pertence a escritor. E a do Bera era perfumada, como se tivesse, sei lá, me esperando.
Quando saíamos do restaurante, olhei para o Chao, que é francês, de La Rochelle. O guri se enrolava com os braços, lábios arroxeados, cabelo arrepiado.
Era isso: uma gaúcha e um francês passando frio no Rio de Janeiro.
Pode?