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Quarta-feira, Maio 04, 2005

 

O tempo não pára

Pois novamente me ausento e torno a voltar. O problema é que sai do ar provedor, coisa pra se fazer, matéria pra entregar, texto pra escrever. Pareço que não tive uma educação decente: as pessoas vêm ao blog, deixam mensagens, e não consigo responder. Corrigirei, prometo. E gracias a todos os que vieram me visitar.
Indo direto ao ponto doloroso do dia de hoje. Quando pensei que podia descansar, que o silêncio de La Rösing resolveria o embrulho e que minha parte estava feita, mais coisas acontecem. Imprensa sendo tutorada e barrada no baile. Tive de escrever a mensagem que segue. Envei ao todos quanto pensei que pudesse interessar.
Olhem só:

Prezados amigos e colegas de ofício,
Volto a escrever de forma circular, porque as circunstâncias me obrigam. Novamente, o assunto, que já me causa fastio, é a professora Tania Rösing e Jornada de Passo Fundo: aquela polêmica que foi por ela ignorada. A mesma polêmica que seguiu adiante porque toda a comunidade cultural se levantou, clamando por uma resposta. Aliás, todos clamaram por duas respostas: por que, afinal, a Jornada contava com tão poucos autores gaúchos e por quais motivos a professora não respondia a um escritor que mereceria a atenção devida. (A bem da verdade, a segunda pergunta é a mais repetida e comentada. Já ninguém quer saber os motivos, decerto fúteis, que leva essa senhora a prestigiar autores do centro do país em detrimento de autores gaúchos. Todos querem saber por quais razões, afinal, ela se julga tão suficiente para negar interlocução aos autores da terra, uma vez que foram eles, os autores da terra, que deram o estofo necessário para que a Jornada seja o evento que é).
Pois, por dever de lealdade a meus pares, dever que a professora não julga ter, passo a relatar um triste episódio ocorrido na última semana. Sinto antecipar que, desta feita, não tenho a intenção de informar. Agora, o teor é de denúncia, pura e simplesmente. A professora Tania Rösing está monitorando e fazendo o papel de tutora da imprensa gaúcha. Melhor dito: a professora está censurando os meios de comunicação.
Explico. Há duas semanas, um pouco mais, o jornalista Flávio Ilha, da revista Aplauso, me telefonou pedindo um texto curto e genérico sobre a importância dos eventos literários para os autores e para o incremento da leitura. Informava-me o jornalista que tal matéria seria veiculada ao lado, ou próxima, de uma matéria da professora Tania, na qual ela explicaria o funcionamento da Jornada, seu planejamento e critérios. Como se tratava de pedido de um colega para um veículo que atende a comunidade cultural, não tive como me esquivar. Noblesse oblige, quem é do ramo sabe.
Escrevi um artigo curto, enxuto, cuidadoso, falando sobre tais eventos e sobre o trabalho do escritor. Fiquei satisfeita com o resultado, achei que todos concordariam comigo, e enviei o dito texto. Fui trabalhar, porque o tempo me cobra as obrigações de ofício. A surpresa, nem tão surpresa assim, veio quando o mesmo jornalista me informou que não podia publicar minha matéria porque a professora, tendo enviado seu texto, telefonou para a revista proibindo a publicação. Ante minha estupefação, respondeu-me o colega que Tania havia dito que seu texto envolvia a Universidade de Passo Fundo e que a UPF não lhe dava o respaldo para falar em nome da entidade. O jornalista disse que sentia muito, mas que sua pauta tinha sido evaporada e extinta. E que meu texto poderia ser aproveitado em outra ocasião, já que era tema de interesse de todos.
Ora, no meu tempo, e lá se vão anos, fazia-se assim: ou se publicava um soneto de Camões ou uma receita de bolo no lugar do artigo que a censura havia glosado. Como a Aplauso não se presta a publicar nem uma coisa nem outra (embora Camões não seja, de forma alguma, estranho ao objeto da publicação), e como existe um código de conduta e de ética a nortear os trabalhos da imprensa, a revista fez o que deveria fazer. Cumpriu o legal atendendo o imoral. Por imoral, no caso, entenda-se a proibição, a posteriori, de um texto enviado à redação. Sabe-se lá que outra pauta não teve de arranjar o editor para, nos derradeiros instantes, tapar uma cratera na edição. E que sentimento de frustração não assolou o mesmo editor, e o jornalista, ao se ver proibido de cumprir com sua tarefa, que é a de informar.
Outro episódio, que até aqui mantive oculto por já estar cansada de perder tempo com murros em ponta de faca, ocorreu no início de abril, quando fui convidada a um programa de rádio, numa das emissoras da RBS, para falar da Jornada e da querela toda. O programa, ao vivo, foi ao ar, com a intervenção dos escritores Luís Augusto Fischer e Marcelo Carneiro da Cunha por telefone. Tudo civilizado, normal, como são nossas relações por este meridiano.
O interessante é que, horas depois do dito programa, recebo um telefonema de uma pessoa de minhas relações, professora da Universidade de Passo Fundo. A professora, que pediu que seu nome seja mantido em sigilo porque teme por seu emprego, me comentava que, antes do início do programa, o apresentador, homem de conduta lisa e reta, discreto a ponto de nada me comentar, apreciado por suas muitas virtudes e por sua luta em prol das artes no Estado, recebeu um telefonema de Tania Rösing. No tal telefonema, a professora dizia que o programa estava sendo gravado e que não hesitaria em usá-lo em qualquer foro e momento para provar que a "RBS está contra a Jornada". A professora que se mantém no anonimato (não concordo muito com isso, mas entendo a postura de um profissional que necessita de trabalho) ouviu a dita conversa, que gerou comentários em várias rodas, segundo me relatava. Convém dizer que esta anônima trabalha diretamente com Tania Rösing, a quem admira e apóia com toda a convicção. A atitude, por ser grosseira, prepotente e ignorante, teve o efeito de decepcioná-la. Por dever intelectual e moral, viu por bem comentar-me o fato.
Não duvido nem um pouco de minha informante, assim como não duvido de nenhuma outra pessoa que, sempre no anonimato, fez denúncias desabonadoras acerca da conduta da professora Tania. Não duvido, porque o silêncio acintoso nada contesta, tudo confirma. O que mais me revolta, e revoltará a todos, estou certa, é o tom de ameaça, o cerceamento da sagrada liberdade de imprensa, o obstáculo posto ao exercício profissional de gente e de veículos de conduta ilibada, a acusação leviana de que jornalistas, ao cumprir suas tarefas básicas, estejam contra ou a favor de algo. Jornalistas informam, como eu mesma informei quando cobri a Jornada no ano retrasado. Jornalistas estão subordinados apenas aos interesses da comunidade, que exige trabalho ágil, preciso e amplo. Qualquer entidade ou instituição que se proponha a dificultar este trabalho, que limite a cobertura de fatos concernentes à coisa pública com o clássico "nada a declarar" dos culpados e dos ignorantes, qualquer um que subtraia de um profissional sua matéria essencial — qualquer um — merece o repúdio de todos.
A professora Tania Rösing, envolvendo a briosa UPF, entidade da qual é egresso, inclusive, o escritor Plínio Cabral, ganhador da última edição do Prêmio Zaffari & Bourbon de Literatura, presta os piores serviços à sua própria causa. E merece a denúncia que agora assino.
Cordialmente,

Cíntia Moscovich
Escritora e jornalista


Comentários:
Vai ti fodê! Que merda no ventilador dos outros é colírio. Tu te acha grande escritora e é coisa ruim, literatura para vaca dormir de sono profundo. Vai aprender a escrever e depois bota banca, tá sabendo?
 
Isso deve ser gente aqui de Passo Fundo, mancomunado com a Tânia Rösing. Pelos erros de português, deve ser ela. Todo mundo sabe que ela não sabe nem escrever o nome. Cintia, não dá bola para essa gente. A Tânia está desesperada, correndo atrás de gente para ficar do lado dela nessa briga.
Ninguém quer se meter.
 
Olás, povo. Calma, calma, minha gente. Isso é fogo de palha. Já sei que a Jornada anda perdendo patrocínio. E só perde patrocínio quem tem motivos para perder patrocínio. O mundo é redondo e não tem esquina. Eu não queria que isso acontecesse, juro, mas quem provocou o descrédito não fui eu. Foi quem calou a boca em nome, como disse um anônimo, de não dar voz a imbecis como eu.
Então tá, né?
 
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