Me lembrei de uma: fui, a bordo de mamá, almoço de domingo, a um espeto corrido, aqui em Porto Alegre, churrascaria Laçador, que não conhecia.
Serviço demorado: salsichão, coraçãozinho de galinha. Depois costela, costela e costela. Pelo meu gosto, tava bom, pra iniciar. Mas eu queria um vazio, corte delicioso e barato.
Como as carnes rareassem, e eu quisesse comer meu vazio, consegui chamar um dos garçons e pedir um espeto de, claro, vazio. Ele fez um ar entre desconcertado e preocupado:
--- Não sei se tem.
Pô: "Não sei se tem?".
Para que o pessoal que não mora aqui entenda: é como ir a um restaurante de comida baiana e o cara ficar em dúvida se tem moqueca de peixe. Ou a um restaurante alemão e o mesmo acontecer com relação a chucrute. A gente não pergunta se tem: é o que tem.
Tinha, sim, um vazio meia-boca.
No fim, a gente pagou 46 pilas.
A mãe, que comeu sobremesa, disse que os doces estavam bons.
Adeus, espeto corrido.