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Sábado, Julho 23, 2005

 

Governo do coração

Meu pai era um cara austero. Nunca levantou a voz, que eu me lembre, e nunca afroxou a autoridade que tinha sobre a família --- embora ninguém duvidasse que ele nos amava muito.
Estamos dentro da irrealidade bastarda. Ao invés de o presidente, pai escolhido da nação, dar segurança a seus cidadãos-filhos, ele afirma, em discurso a metalúrgicos, que, para governar, é preciso coração. Aos berros.
Não adianta fazer coisas com o coração, os afetos se vivem em instâncias individuais --- familiares ou fraternas ---, devoção a uma causa não torna legítima a irregularidade.
Não se governa nada com o coração. Seja uma casa, seja uma nação. Se governa com a cabeça, com toda a energia pensante que se possa empregar. Se governa com a mão da autoridade. E que a mão esteja limpa, asseada e organizada. Essa é a melhor forma de amar: dar segurança e lar.
Ora, presidente, vá falar de amor pra sua turma. Só eles conhecem esta porcaria de amor que o senhor quer nos enfiar goela abaixo.
Senhor presidente, o senhor é uma porcaria de pai. O senhor não tem autoridade nenhuma. Amor nenhum.
Presidente, na boa e com todo o respeito devido ao mandatário maior da nação: vá catar coquinhos.


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