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Quarta-feira, Julho 13, 2005

 

Por que escrever?

De repente, começou, tudo ao mesmo tempo: de norte a sul, escritores se queixam da pindaíba em que vivem. Já ouvi neguinho dizendo que tem de pegar dinheiro emprestado pra completar o mês. Um é funcionário público, outro é tradutor, outro é jornalista, e por aí vamos, profissões que não enriquecem ninguém, que dão o mínimo que se precisa.
O que ninguém quer é deixar de escrever. Impressionante: não mata a fome, não dá dinheiro, mas ninguém abre mão.
Talvez porque seja fascinante, porque o mundo vira mais mundo quando se escreve. O Salman Rushdie, que deu entrevista no Metrópolis (onde o Marcelino Freire fez matéria sobre Paraty, ótima, por sinal), enfrentou um jornalista que perguntava a ele se a ameaça de morte que pairou anos sobre sua dele cabeça não o atemorizou. Ele respondeu que não, que estava tão ocupado escrevendo que não tinha tempo de se preocupar com a sentença de aniquilamento.
Vejam bem, senhores: a literatura derruba até o medo.
Toma!


Comentários:
É que quem escreve, e bem escreve, não é de uma hora pra outra, nem pra ganhar dinheiro, nem o faz por fútil luxo. Escreve por uma questão de sangue e de nervos; de temperamento; não para aparecer. Está então acima da mediocridade da vida, pois aquele que bem escreve vive em dois mundos: quando está ruim em um, aquele que bem escreve se esbalda no outro.
 
Oi, Amadeus. Acho bomita a tua idéia. Mas temo um pouco a idealização do escritor. Não é que não se escreva para ganhar dinheiro. Se escreve e se tem direito a ganhar um troco, já que é um trabalho, e pela lógica de organização das coisas, quem trabalha também merece. Nem que seja uns caraminguás sofridos. Não sei, Amadeus.
Obrigada pela visita, meu caro Mozart.
 
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