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Terça-feira, Julho 19, 2005

 

Quem ainda acredita?

Hoje, terça-feira, 19 de julho, o escritor Marcelino Freire autografa, em São Paulo, seu Contos negreiros, livro que já vem ao mundo sob a marca da polêmica. Matéria da Veja desta semana, assinada por Jerônimo Teixeira, é pouco elogiosa -- e desnecessariamente virulenta. Marcelino fez circular pela internet uma carta aberta a Mário Sabino, editor-chefe da revista. Vale a pena ler a carta e os comentários no site do Marcelino, o eraOdito.
Com relação ao fato de cair malhando um livro e um autor (seguidamente as duas coisas são uma só), deve-se prestar atenção. A resenha negativa depõe contra seu autor, na maioria das vezes, principalmente naquelas em que o resenhista demonstra truculência. Julgar a obra alheia é tarefa para a posteridade, para os que vêm depois, para as traças do tempo. Se o livro é realmente imprestável, será esquecido na primeira volta do relógio. Pelo menos a gente deveria manter a quota mínima de sanidade. Sem ódio, por favor.

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Falando em ódio: mais um abominável pintou por aqui e deixou um comentário mal-educado. Mas muuuuuuuuuito mal-educado mesmo. Com erros primários de flexão verbal.
Por que nem para xingar dá pra respeitar o pobre do português?

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Hoje a CPI dá mais frutos podres.
Quem ainda acredita?


Comentários:
Estive no blog do Marcelino e deixei um comentário, entre tantos outros, a respeito da "carta aberta" enviada para a Veja. Nada muito importante, mas importante mesmo foi outro que me chamou a atenção e que ora transcrevo aqui. Gostaria de obter sua opinião a repeito: "Estava fazendo uma pesquisa sobre Paulo Coelho para minha tese, e vim parar no teu site.
Por que? Porque voce, como outros, mete o "pau no coelho". Agora, é criticado: pimenta nos olhos dos outros é refresco, não é verdade?
Que faremos: um jantar de desagravo, um abaixo-assinado, uma manifestação pública diante da Abril?
Ora, que bobagem. Sugiro mesmo é que leia, se nao os livros, pelo menos um pouco das críticas sobre Paulo Coelho que tenho visto na internet. E ele não diz nada, embora duvido que não saiba. E qual o motivo? É elegante. Sabe que bom cabrito não berra.
Mau cabrito berra sempre que ouve algo que não gosta. Não tenho absolutamente nada contra voce, talvez seu livro seja bom, talvez inclusive eu compre e leia, mas francamente...atacar um jornalista e tentar seduzir o chefe dele, pedindo que interfira como patrão, eu acho um artifício bastante deselegante.
Leia seu trecho sobre "pau no coelho". Ou outras eventuais críticas negativas que deve ter feito a respeito de outros autores. Algum lhe enviou uma carta aberta? Reclamou? Então, meu caro amigo, não julgue para não ser julgado . Pilar Rodrigues "
 
Cíntia, parabéns pela sua elegância e percepção. Você disse tudo: ninguém pode julgar tão profundamente uma obra recém-aparecida, porque falta o distanciamento, o olhar sereno que vem só com o tempo... Não li ainda o novo livro do Marcelino, mas pelo que conheço de obras anteriores, duvido que seja tão ruim assim.

Leio sempre seu blog, mas acho que foi a primeira vez que deixei algum post. Sou leitor da sua obra desde O reino das cebolas, então me considero um dos seus leitores antigos. Estou agora mesmo a ler Duas iguais e fazendo mil e uma anotações. Tão boas as passagens em Paris (e não só estas, claro).
 
Oi, Saint-Clair. Obrigada por ter parado aqui e deixado teu comentário, que é muito bem-vindo, além de afetuoso. Volta sempre, meu caro.
Um beijo da
Cíntia
 
Olá, Eloy. Teu comentário merece uma resposta, claro que sim, muito embora cites, na maior parte do espaço que seria teu, o comentário alheio, o da Pilar, esta moça que está fazendo sua dissertação sobre Paulo Coelho.
O que eu acho da afirmação dela? Olha, acho um tanto equivocada, porque me parece que, em primeiro lugar, ela não leu direito a carta aberta do Marcelino. O que ele usa na dita carta é ironia, uma arma sempre bem-vinda, que requer certa perspicácia para ser entendida. Marcelino não quis seduzir Mário Sabino, “pedindo que ele interfira como patrão”. Marcelino sabe que um chefe de redação jamais vai se insurgir contra um jornalista que está sob seu comando. Mesmo porque ele deve ter lido a matéria antes de ela ser publicada. O que Marcelino quer é chamar a atenção de todos nós, leitores (de livros, de blog), para que vejamos que um espaço numa revista de circulação nacional foi usado de forma no mínimo inadequada, com carradas de ódio, sentimento pouco elegante (na literatura e na vida). E quer dizer a todos que Mario Sabino também é autor e que recebeu de Veja tratamento de primeira classe --- como, aliás, vários outros também mereceriam ser tratados. Uma pena que um veículo como a Veja dispense tão pouco espaço à literatura produzida no Brasil, exceto por algumas raras e honrosas exceções, que eu aplaudo.
Quanto ao Paulo Coelho nunca ter respondido em carta aberta alguma resenha negativa, e foram várias, pergunto: e daí? Paulo é um escritor que não cozinha na primeira fervura, não chegou ontem, e escolheu um caminho de expressão que ele sabia que ia gerar muuuuuuuuuita controvérsia e ranger de dentes. Eu li “Onze minutos”, do PC, para dar matéria, na época em que trabalhava no jornal Zero Hora. E demos uma entrevista, que ele, muito atencioso e disponível, me concedeu, respondendo a tudo o que eu perguntava. Aliás, adorei ter entrevistado o Paulo, porque ele se dispõe a dizer o que quer que seja. Na citada entrevista, tendo em vista que ele havia deixado de lado o personagem de mago (disse que queria ser levado mais a sério como escritor), perguntei se, de fato, algum dia, ele se considerou um mago, fazendo a chuva parar de chover e fazer andar um engarrafamento de trânsito, por exemplo (declarações dadas à revista Veja em suas Páginas Amarelas). Sabe o que ele me respondeu? “Não é que eu pense que era mago. Eu sou um mago”.
Vai daí que a personalidade literária de Paulo Coelho é avessa a essas explosões inconformadas, como a do Marcelino. E ele nem precisa disso. Há quem diga que, nos bastidores, ele já pediu a cabeça de muitos jornalistas, coisa que duvido. O folclore dele é alimentado daquilo que ele, no entanto, é acusado. Não se trata de elegância ou deselegância: é o jeito que ele tem de viver, muito bem, obrigado, da sua literatura.
Não sei se te respondo a pergunta. Mas acho que é isso mesmo, não há como ser diferente. Também acho que não se respondem resenhas negativas. Mas é que, quando a coisa beira o furibundo ataque pessoal, não há quem resista. E, no fim das contas, o que o Marcelino está fazendo é usar um bom sentido de humor. No meio de tanta porcaria, o humor ainda é capaz de salvar.
Seria isso.
Recebe o abraço da
Cíntia
 
Eu, ignorante, vejo a coisa de forma mais simplória: Sem ter lido o livro do Marcelino (nem com a pretensão de ler) e também não tendo nada contra o cara, e mesmo sem ter lido a referida crítica, etc., vejo que os se colegas defendem encarniçadamente, às vezes zombando da crítica, como se houvesse mesmo uma guerra entre escritores e crítica!
 
Oi, Amadeus. Não és ignorante, ao menos não me parece, e não tenho toda essa bola para julgar. Mas, dependendo de qual for o teu trabalho, se houver um colega que aprecies e que faz direitinho o que tem de ser feito, sem prejudicar ninguém e ficar na dele, e ainda por cima o sujeito for teu companheiro fraterno e te acompanhar em vários momentos de tua vida, por que não o defenderias no caso de eventual injustiça? Aqui se faz o mesmo o que farias no teu ofício e na tua vida. Um cara bom, na dele, sem pretensões de salvar a pátria, é espancado. É injusto. E a gente fala o que tem que falar.
Entendes?
Beijos, caro Mozart.
 
Cíntia:
Se eu queria conhecer a sua opinião sobre um comentário que li, o mínimo que poderia fazer seria mostrar o mesmo, pois não sabia se você tinha lido ou não. Quanto a resposta, era mesmo o que eu pretendia. Vi lá no mesmo blog uma outra que você deu a alguém , que considerei muito oportuna e como, seguindo links, acabei parando aqui, vi também seu texto sobre o polêmico artigo do JT na Veja e a carta aberta do Marcelino. Resolvi então perguntar o que você acha a respeito do comentário da Pilar. Nenhuma das mais de cem justificativas feitas (cheias de adjetivos e inconsistentes quando não grosseiras) por amigos e admiradores do Marcelino, foi tão convincente ou teve tanta riqueza de argumentos como a tua. Como sempre fui sensível a bons argumentos, os teus foram suficientes para que eu mudasse de opinião (era parecida com a da Pilar) sobre o ato de enviar uma carta aberta para o “chefe” do JT mas... continuo concordando com ela no que diz respeito ao comentário do Marcelino anteriormente colocado no blog intitulado “Pau no coelho”. Assim como ele tem direito de não gostar do Paulo Coelho e emitir seu pensamento sobre a obra do escritor, o JT tem igual direito de fazer o mesmo com a obra do Marcelino. Eu nunca li o Marcelino e só entrei no blog dele por indicação de amigo. Confesso que essa polêmica toda despertou minha curiosidade. Vou comprar seu (dele) novo livro e, só então, poderei dizer se gostei ou não. Li “O Alquimista” e gostei. Então tentei ler “Diário de um Mago” e achei chatíssimo, parei no meio. Não gosto das crônicas do Paulo Coelho no “O Globo”, tento ler e não consigo chegar ao fim. Tomara que eu goste de ler o Marcelino, mas quero também ter o direito de não gostar. O melhor de tudo isso foi que ganhei, de quebra, a oportunidade da leitura do “A cabeleira da casa”, onde identifiquei a mesma beleza simples das crônicas do Rubem Braga.
E já que escrevi tanto, gostaria de aproveitar para lhe apresentar a escritora de contos e crônicas Márcia Rodrigues http://marciarodrigues.zip.net/ que tem também um texto leve, muito criativo e bem humorado (destaque mesmo para o pitoresco). Ela diz que, por enquanto, só quer mesmo ser lida em seu blog e se aprimorar para, quem sabe, futuramente tentar o mercado editorial. É também uma estudiosa de arte. Não a conheço pessoalmente (estou no Rio e ela em São Paulo) e nossa aproximação, via NET, foi decorrente do gosto comum pela arte. Acho que se você lesse alguns dos seus textos e deixasse lá seu comentário ou até algumas dicas, certamente faria com que ela ficasse muito feliz.
Felicidades e muito obrigado por sua resposta.
Eloy de Oliveira
 
Oi, Eloy. Muito obrigada pela nova parada aqui no blog e por ter respondido muinha postagem. Pois é exatamente isso que dizes: todos têm direito de gostar ou não gostar, e azar do autor, que o texto nem mais dele é.
Obrigada pelas generosas palavrsa relativas a minha cabeleira. E vou, sim, dar um pulo lá na Márcia. A gente fica torcendo pra aparecer gente nova e boa.
Um beijo pra ti e bom fim de semana.
Cíntia
 
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