No final de semana, como a coisa andava meio preta, resolvi ter algum sossego. Fui à locadora e tirei alguns dvds. Entre eles,
Rompendo o silêncio, série de cinco documentários sobre o Holocausto dirigidos por cinco cineastas — Luis Puenzo, Pavel Chukhraj, János Szász, Vojtech Jasny e Andrzej Wajda, produzidos por Steven Spielberg. Os documentários, feito nos moldes de declarações testemunhais de sobreviventes, são baseados em material do Survivors of the Shoah Visual History Foundation, também de Spielberg.
O que mais impressiona não são as imagens, feitas logo que tropas americanas e russas deram fim àquela loucura — aquelas que mostram montanhas de cadáveres, pilhas de dentaduras e de óculos, gente feito defuntos apegados a um restinho de vida. O que impressiona mesmo é o teor do que é contado, façanhas que vão de assassinatos à queima-roupa até a delação pura e simples de gente que, não tendo nada a ganhar ou a perder, resolvia avisar que havia judeus por perto.
Por que é que um sujeito resolve avisar a SS ou a Gestapo que o vizinho do apartamento de cima é judeu, sabendo que isso representa a morte?
Num tempo de CPIs e decepções gerais, vê-se que as coisas têm funcionado assim: cada um cuida do seu próprio umbigo, do próprio bolso e da própria vida — se possível, ferrando os demais. Roubar uma montoeira de dinheiro dos cofres públicos é tão indecente quanto provocar a morte do outro.
A loucura não tem medida nem fim.