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Sábado, Agosto 27, 2005

 

Algumas ilusões

A crônica, linda, aí de baixo, foi enviada pelo Ruy Carlos Ostermann, o Professor. Dá pra entender o sentimento dele, não dá.
Vejam que bonito.


Não tenho mais ilusões, ao menos não tenho mais as ilusões que me faziam saltar de pára-quedas, meter-me em pesca submarina, participar do grupo de resgate da plataforma da Petrobras ou namorar a Michelle Pfeiffer.Romper a linha do sono e ficar lendo até amanhecer, com anotações pertinentes por cima da letra impressa, corrigindo a frase de Sartre, certamente errada, escrita às pressas, entre um uísque ou outro, no Café de Flore, com a Simone apressada, de pé, já na calçada.Fazer o cruzeiro do Mediterrâneo bebendo absinto, me apaixonando por Istambul e ficando por lá como professor de artes marciais ou tradutor do francês, mantendo correspondência com Umberto Eco a respeito de alguma coisa que ele possa se interessar.Ou então não fazer nada e ficar quieto no fundo da biblioteca desamarrando livro velho para futura restauração com páginas especiais, a maioria delas guardadas debaixo do Houaiss, gastar todo o tempo nisso, sem pressa, sem celular, ou qualquer outro tipo de angústia cotidiana.Para nada disso tenho mais ilusões de que possa fazer sem a intervenção enérgica ou insistente dos outros, os que me servem de paisagem afetiva, e arrumam a mesa, puxam o tapete lentamente, e me chamam para ler outra vez o jornal, alguma coisa que não li ou não quis ler porque eles sempre me parecem cada vez mais iguais.É bem esse tipo de ilusão que não tenho mais. Dá pra entender?


Comentários:
Cíntia, maravilha!!!!
mesmo na desilusão não se deve perder a elegância. beijc,
Flávia
 
Perfeito!
 
Perfeito mesmo, né?
 
Que paixão ele tem por essas coisas, isso é o que falta para muitos...
 
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