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Segunda-feira, Agosto 22, 2005

 

Deu Chico

Luiz Paulo Faccioli, o maridão, acaba de dar a notícia: o vencedor do Prêmio Zaffari & Bourbon deste ano foi Budapeste, do Chico Buarque. O livro é, de fato, maravilhoso: sou fã de carteirinha do moço e acho que esta obra dá de dez nas outras que ele escreveu.
Como os finalistas eram todos de altíssimo naipe, louve-se a premiação, que deve ter sido pautada por critérios de gosto pessoal: tecnicamente, todos, ou maioria deles, estavam em
nível técnico muito semelhante.

*****
Neste ano, houve auditoria do prêmio e a composição do júri foi informada com claridade e agilidade. Espera-se Chico Buarque em Passo Fundo, para receber o cheque de 100 mil, descontados 35 mil de imposto de renda.
Tomara que todos os participantes da Jornada comprem o livro e leiam. Aliás, que todos os participantes da Jornada comprem TODOS os livros finalistas e leiam.

**********
Ponto a ponderar: será que o prêmio não deveria incluir outros gêneros além do romance?


Comentários:
Eu gostaria de poder fazer + q 3 cadeiras da faculdade, q pela falta faço sempre pouco. Me formar!
Poder ler tdo o q desejo e q por ter q ralar ñ tenho oportunidade (lê-se tempo) e nem grana pra adquirir os livros...
Taila
tniederle@hotmail.com
 
Supermercados Zaffari Bourbon gastam mais de 100 mil reais distribuindo
marmelada no prêmio de literatura de Passo Fundo e deixam mais de duzentos
escritores com cara de tacho.

A escolha prévia foi Chico Buarque. Escolha prévia, sim,
porque é humanamente impossível que os jurados tenham lido os 230 livros inscritos
do dia 30 de maio, quando encerraram-se as inscrições, até o dia 18 de agosto,
quando definiram os 14 finalistas.
Ou seja, teriam lido 230 romances em 78 dias corridos, 3 romances por dia, e escolheram 14.
Este ano, com auditoria ou sem auditoria, o prêmio foi uma muito do podre
campanha de marketing para levar Chico ao festival e faturar notícia em cima disso.
Triste. Teria isto sido bolado por Valério e Duda? Teria sido
Delúbio? Jefferson? Ou Luiz Coronel, marketeiro do Zaffari?
 
Olá, Anônimo. Olha, é o seguinte. Por uma questão de justiça, a gente não pode, a priori, sem conhecer os fatos, julgar como uma marmelada um concurso que, neste ano, teve auditoria e um corpo de jurados nomeado, coisa que não acontecia nas edições anteriores. Concordo contigo ao dizeres que a Jornada queria o Chico. Errou o site oficial da Jornada ao divulgar a notícia de que eram conhecidos os finalistas, chamando para Chico e Saramago. Erro crasso, que pode levar à conclusão que agora chegas. No entanto, não posso duvidar da integridade intelectual dos jurados, muitos deles que conheço de perto e que não deixariam uma lambança acontecer.
Infelizmente, temos o resultado como legítimo. Até, claro, que surjam provas em contrário. Mas achar por achar, também é demais. Todas as denúncias que eu fiz, as brigas que comprei, foram basesadas em evidêncis, fatos concretos, que podiam ser constatados. O resultado do concurso, neste ano, volto a dizer, se coloca de forma inatacável, creio. Por uma questão simples de justiça. A não ser que um escândalo se imponha e alguém me diga que os votos foram manipulados.
Entendes o que acho?
 
Explique-me então, cara Cíntia, como ler e julgar 230 romances em dois meses. A questão toda está aí. Ou será que os auditores liam a maior parte dos livros e davam dicas aos íntegros jurados. Não, isto seria incorreto. Ou então as ímpares sumidades liam e analisavam por amostragem, por exemplo lendo somente as páginas terminadas em 2, ou só o primeiro capítulo, ou o quinto. Não sei, mas isto também me parece incorreto. Digamos então que os excelsos juízes, por sua vasta e imensa cultura e erudição já teriam lido, até o dia 30 de maio, a metade dos livros inscritos, 115 deles. Ainda assim duvido que conseguissem ler os outros 115 (dois por dia, descontando sábados e domingos, que ninguém é de ferro) e ainda comparassem e julgassem todos em dois meses e meio. É historinha para leitor dormir. O Marketingduto passou por Passo Fundo, Cíntia. Oque acho mais triste de tudo é que aparentemente as pessoas não percebem isto ou se percebem não se importam, porque "afinal foi o Chico que ganhou, o livro dele é ótimo, ele merecia mesmo, isto é ótimo para o festival e para a literatura". Obviamente o escritor premiado é vítima como são vítimas os leitores e os cidadãos. Maiores vítimas ainda são os escritores inocentes e bem intencionados que se inscreveram no "concurso". Abraço. Em tempo: não participei do concurso. Tivesse participado os processaria.
 
Caro anônimo,
Não sou a defensora do prêmio. Não tenho procuração para tanto e nem queria — quero mais é distância de Passo Fundo, depois de toda a querela despótica, e desnecessária, na qual me vi envolvida. Assim como tu, também acho estreito o prazo dado às diversas etapas. A justificativa, ao menos aais plausível é que o corpo de jurados, composto por Ignácio de Loyola Brandão, Carlos Reis, Paulo Becker, Antonio Dimas e Regina Zilberman, tem, nas atividades profissionais desenvolvidas, o compromisso de ler. Ler, mais do que tudo, porque todos eles lidam com essa matéria, a literatura, e são obrigados, por dever de ofício, a acompanhar a movimentação editorial. Eu, pelo menos, li a maioria dos romances finalistas, porque faz parte de meu trabalho. (Inclusive, eu tinha um candidato nobilíssimo para colocar a mão no prêmio. Um dos romances mais fabulosos que li nos últimos anos foi o do Assis Brasil, “A margem imóvel do rio”, sem falar do Ruffato, com seu “Inferno provisório”, ou do Laub, com seu “Música anterior”). Num conjunto como esse, é até fácil julgar. Desculpa a leviandade, mas te asseguro que consegues saber onde um livro vai te levar já nas primeiras páginas. Pela tua lógica, os jurados teriam de ficar, sei lá, 3 anos lendo todos os romances antes de dar o voto. Não sei como eles fizeram. Mas acho que, diferentemente de outros anos, nos quais os julgadores permaneciam desconhecidos, nesta edição eles estão nomeados. E são gente que lida com literatura.
Acho mais ultrajante que, vencedor anunciado, se postergue a premiação, se saia atrás do vencedor, que nem sabe do prêmio nem sabe onde fica Passo Fundo, para trazê-lo de jato particular, que não saiu do bolso dele. E que se arme justamente isso, um circo, para recebê-lo durante umas parcas horas.
Entendes o que te digo?
 
Entendo, Cíntia. E é por isto e muito mais que não participo de "concursos" literários. Creio que os juízes também leram a maioria dos romances finalistas. Quanto a saber onde um livro vai já nas primeiras páginas, acho um bom método para decidir se o compras, se o lês ou não (eu uso este método freqüentemente) mas aí és juíza soberana e não deves satisfação a ninguém. Não é caso de um concurso. Imagine se no tribunal o juíz olhasse para a cara do réu, para as acusações, começasse a ler a defesa, pensasse: "ah, não, o mesmo papinho de sempre!" e o condenasse sumariamente. Por tudo que é óbvio - santa ingenuidade, Batman - foi exatamente o que as sumidades fizeram. Olha, deixa pra lá, afinal os pragmáticos traidores do PT fizeram isso multiplicado por milhões e sequer foram expulsos do partido. Logo todos vão encarar tudo isso como normalidade. E no futuro todos terão seus 15 minutos num jatinho particular e um prêmio de encomenda. Nada a ver contigo, faço questão de dizer. Tens minha admiração e respeito - anônimo, mas respeito de um leitor.
 
Hola Cíntia,

El c!b3r5urtad0, cambió de apellido, para c!b3rcultur4d0 - ello se ha curado - así como su espacio virtual - hipermemoria.blogspot.com; como tu és siempre bienvenida, convido-te des ahora!!

PS: la mayoria dellos posts polemicos tenes sidos deletados pelo c!b3rcultur4d0, que crée que será más prudente. E gracias por su simpatia otrora...
 
Olá, cybersurtada curada. Parabéns pela mudança de estado patológico. E pela mudança no nome do blog. Vou lá dar uma olhada.
Besitos.
 
A pergunta que não quer calar: quem pagou afinal o tal jato q trouxe a 'estrela'??? O Zaffari? a editora do livro? ou os alunos de Letras que ficam uma semana sem aula para 'assistir de longe' as 'estrelas'???
 
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