O escritor
Paulo Scott, responsável pelo site
Sanduíche de anzóis, retoma o assunto sobre as resenhas literárias, citando, inclusive, um trecho de um post meu sobre o assunto.
Não que eu tenha cercado a discussão nas malhas da verdade, longe de mim, mas um pouquinho de experiência, com base em coisas que já vi (algumas coisas, espero nunca mais ver), pode ser uma pequena bússola. Equivocada, desgovernada, sim, mas que, aqui e ali, mostra o caminho.
Com relação à matéria que deu a partida na discussão, publicada na Veja e que espinafra o
Contos negreiros, de
Marcelino Freire, repito o que já disse: não vale a pena ficar chutando cadáver. Se o resenhista crê que o livro não vale o papel em que foi impresso, que não gaste tempo e mais papel para desancar. O tempo, sábio tempo, esgota o assunto, e o livro, se não prestar, é esquecido.
Em segundo lugar, ainda sobre o mesmo tema, reparto o que penso com quem acreditar que minha crença merece ser repartida: não se devolve nem se responde resenha negativa. Isso porque o jornalista, e qualquer um, tem o direito de não gostar e expressar sua opinião. Cada um na sua. As páginas de jornais e revistas não são lugares para bate-boca. Se alguém pisou na bola e foi além do bom senso e da elegância, que esse alguém vá sozinho a seu destino. Não precisa companhia.
Detratores da obra alheia há muitos. Chega a encher o saco ver tantos dispostos a virar pedra, quando nem chegaram a ser vidraça. Resta ao autor receber a resenha, boa ou ruim. E seguir trabalhando. De preferência, fazendo a crítica de seu próprio trabalho -- porque, mesmo um relógio parado, marca duas vezes no dia a hora certa.
Baixemos a cabeça. Literatura é coisa muito séria. Não vale a pena chamar para a briga.