No meio da confusão em que nos metemos, sempre aparece mais um bafafá. Passo a relatar uma miudeza, mas que pode esclarecer porque, afinal, somos o que somos.
Tenho dores na cervical, nada grave, mas que exige algumas injeções de antiinflamatório, para as quais recorro a uma farmácia numa avenida, a 24 de Outubro, que é meio longinho de casa, à qual chego, algumas vezes, de carro. Na frente da tal farmácia, há duas vagas destinadas a clientes, que podem estacionar por 15 minutos.
Hoje, cheguei ali, apressada. Era largar o carro, tomar a injeção e carreto feito. Acontece que havia dois carros estacionados nas referidas vagas. Dei voltas e voltas, na esperança que um daqueles carros, passados os 15 minutos (quem gasta mais do que isso numa farmácia?), me desse o lugar. Nada.
Foi quando, esperando em fila dupla, vi passar dois azuizinhos, que são os fiscais de trânsito na cidade — já famosos por sapecar multas por nada. Chamei os senhores e reclamei que os carros estacionados nas vagas destinadas à farmácia estavam ali fazia muito tempo. Um dos azuizinhos, cheios de razão, me veio com essa:
— E a senhora acha que vou ficar controlando os carros de quinze em quinze minutos? Quem tem de avisar a gente é a farmácia.
Fiquei ali parada, pasma. E, logo que consegui entrar na farmácia, avisei o gerente que ele tinha de fiscalizar o trânsito.
Invertidos os papéis, meu medo é que os azuizinhos passem a aplicar injeções.
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Então é isso: quem fiscaliza o trânsito só sabe multar. Quem vende remédios deve fiscalizar o trânsito. Quem precisa do trânsito e dos remédios, reclama pra quem?