Não tenho arma de fogo em casa, embora minha casa tenha sido assaltada cinco vezes. Tenho grades nas janelas, muros altos, cercas, dois tipos de alarme e uma cachorra, a Kika, que controla o terreno. Quando alguém chega a minha casa, é só pisar na frente do portão, que um holofote se acende: fica ativo por cinco segundos, e mais cinco, se continuar a movimentação. E mais cinco e mais cinco...
Me chaveio toda em casa, foi o que a polícia mandou eu fazer. Tenho alarme no carro, claro. O alarme de minha casa é conectado a uma central de vigilância: o alarme dispara, o pessoal vem ver o que acontece. É o que posso fazer para me defender.
Como não sou especialista em segurança pública, como parece que o tal referendo coloca a responsabilidade sobre o controle de armas de fogo nas minhas mãos, prefiro anular meu voto. É um protesto que faço.
Não pretendo andar armada, não pretendo que as pessoas andem armadas. Pretendo, isso sim, que a gente tenha as condições mínimas de segurança. E que não culpem o coitado do cara que tem um 38 em casa pela violência e clausura a que somos submetidos. Ele, o cidadão aquele que tem arma, não é cúmplice de nada. O cara é vítima. Somos todos, aliás.
E vão todos os especialistas que andam falando contra e a favor catar coquinhos.