Em meio às comemorações pelo futuro lançamento de
dois livros meus em Portugal (ver post abaixo), tenho de fazer as coisas da vida. Antes de sair para a cerimônia de abertura oficial da
51ª Feira do Livro de Porto Alegre, tento dar mais um telefonema para a
Empresa Porto-Alegrense de Transporte Coletivo, que vai ajudar nossa gente no passeio de bicicleta que a gente quer fazer no próximo domingo. Tento falar com o sr.
Sérgio Eli, encarregado do setor de Tráfego e Circulação, que precisa me dar mais dicas sobre como mandar um ofício pedindo, em caráter de seriedade, as ações para a dita bicicletada (ele disse que por email não dava. Precisava de papel para arquivar. Ô, burocracia!)
Telefono, telefono, telefono. Ninguém atende.
Ligo então para o número do plantão, um funcionário me atende, finalmente. Diz que não posso falar com o sr. Sérgio Eli porque hoje é dia do funcionário público. Eu acho estranho e pergunto o que uma coisa tem a ver com a outra. Ele me explica:
--- Hoje é feriado, Dia do Funcionário Público, e está todo mundo de folga.
Eu respondo:
--- Ué, mas, por exemplo, eu sou jornalista. E jornalista trabalha no dia do jornalista. Assim como médico trabalha no dia do médico. Por que funcionário público não trabalha no dia do funcionário público?
--- Bom, mas é lei. Feriado, e tá na lei.
Eu desligo. E penso nas protelações que o Supremo concede ao processo de cassação de José Dirceu, na aposentadoria concedida ao Roberto Jefferson. Penso em tudo o que nossa lei faculta. Há coisas que, a despeito de serem ilegais, são imorais.
Por isso eu escrevo. Pra entender esse mundo.
Pelamor.