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Sexta-feira, Outubro 28, 2005

 

Essa é boa

Em meio às comemorações pelo futuro lançamento de dois livros meus em Portugal (ver post abaixo), tenho de fazer as coisas da vida. Antes de sair para a cerimônia de abertura oficial da 51ª Feira do Livro de Porto Alegre, tento dar mais um telefonema para a Empresa Porto-Alegrense de Transporte Coletivo, que vai ajudar nossa gente no passeio de bicicleta que a gente quer fazer no próximo domingo. Tento falar com o sr. Sérgio Eli, encarregado do setor de Tráfego e Circulação, que precisa me dar mais dicas sobre como mandar um ofício pedindo, em caráter de seriedade, as ações para a dita bicicletada (ele disse que por email não dava. Precisava de papel para arquivar. Ô, burocracia!)
Telefono, telefono, telefono. Ninguém atende.
Ligo então para o número do plantão, um funcionário me atende, finalmente. Diz que não posso falar com o sr. Sérgio Eli porque hoje é dia do funcionário público. Eu acho estranho e pergunto o que uma coisa tem a ver com a outra. Ele me explica:
--- Hoje é feriado, Dia do Funcionário Público, e está todo mundo de folga.
Eu respondo:
--- Ué, mas, por exemplo, eu sou jornalista. E jornalista trabalha no dia do jornalista. Assim como médico trabalha no dia do médico. Por que funcionário público não trabalha no dia do funcionário público?
--- Bom, mas é lei. Feriado, e tá na lei.
Eu desligo. E penso nas protelações que o Supremo concede ao processo de cassação de José Dirceu, na aposentadoria concedida ao Roberto Jefferson. Penso em tudo o que nossa lei faculta. Há coisas que, a despeito de serem ilegais, são imorais.
Por isso eu escrevo. Pra entender esse mundo.
Pelamor.


Comentários:
Cíntia, está ótimo este teu jornal pessoal. Eu que fazia aqui comentários anônimos (só os legais) agora estou de casa nova no blogger. Sobre funcionários públicos, escuta esta: o pessoal do estande do Senado me disse, com toda aquela ginga molemolente, que ano passado tinham mudado de lugar, e ficado ao lado do MARGS, mas lá dera muito movimento e estresse (leia-se trabalho), então este ano resolveram voltar ao seu velho e discreto cantinho junto ao Memorial RS. Não é lindo isto?
Querendo ouvir a história da minha primeira noite de feira, pega o atalho. Abraço. Jean Scharlau.
 
Oi, Jean. Vou dar um pulo lá no teu blog pra conferir as sensações. E viva o estande do Senado, que se esconde do povo.
Legal essa, né?
 
Imoralidade? Em que artigo do estatuto do funcionário público está isso?

:-)

Saudade de vcs! Espero vê-los na feira!
 
Pois é, onde é que tá isso no estatuto deles? Ele falou em "lei". Algo como a lei da gravidade. Da ação e reação. Algo que o comum dos mortais não mexe, nem tira deles. Como a água chove pra baixo, funcionário público não trabalha no dia do funcionário púlblico. Saudades idem. Vamos à feira?
 
da série 'sempre pode piorar', os funcionários do poder judiciário trocaram a data do feriado de sexta para segunda. assim, emendam sábado, domingo, segunda (dia do funcionário público), terça (ah, ninguém viria mesmo) e quarta (finados). mas quinta e sexta são quase fim-de-semana, será que vale a pena aparecer para trabalhar?
 
Clarissa amada,
dá até medo pensar em tudo isso. Se os caras se derem conta, depois de novembro já é dezembro, Natal, e ninguém precisa trabalhar mesmo. Ainda mais que depois vem o ano novo. E logo em seguida, tem Navegantes, pulando pro Carnaval. Sexta-Feira Santa vem em seguida. Conclusão: só em Abril a gente vê os caras no batente. Até o dia 21, Tiradentes.
 
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