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Sábado, Janeiro 29, 2005

 
Pensamento judaico

Ando tentando acabar um conto, coisa difícil, ainda mais no calor abafado desta tarde de sábado. Talvez haja mais coisas imponderáveis agindo sobre minha capacidade de produzir. Fiquei pensando que é mais fácil perder um pai para uma doença fatal do que perder mãe por demência. Filho não devia ser testemunha da decadência nem física nem psicológica nem de pai nem de mãe. Decadência financeira ainda vá.


Sexta-feira, Janeiro 28, 2005

 
Duas iguais em italiano

A agente literária e tradutora literária Patrizia di Malta está organizando uma antologia de autores brasileiros a ser lançada, claro, na Itália, pela Mondadori. Entrou um conto meu, que ainda não vi, mas também vai entrar um trecho do romance Duas iguais, agora com nova edição da Record. Sem querer bancar a bacana, mas fica lindo o texto da gente em italiano. Olha só (em primeiro lugar, vai a tradução; logo depois, o original em português):


E tu eri così bianca, amore mio, e camminavi come agganciata al vento, deliziando il suolo con il rumore dei tuoi passi. Tenevi eretta la testa con nobiltà, e i tuoi occhi, generosi e verdi, promettevano ogni fluido. Il tuo collo era di latte, trasparente e addolcito, e i tuoi seni germogliavano generosi sodi copiosi; ed i rosei bottoni dei tuoi capezzoli erano appena macchie passeggere in mezzo a quegli oceani di biancore. Bianca, bianca, il tuo corpo era un torrente di latte, doloroso latte, al quale mi ero abituata in notti ugualmente bianche.
Te ne sei andata? Dove sei finita?
Ricordo quel che noi due eravamo. Eravamo solo noi due, una che anelava l’altra. Noi ci desideravamo, su questo non c’erano dubbi. E io ti desideravo più di ogni cosa, più di mio padre, mia madre, i miei fratelli; e, forse anche temendoti, ti sottomettevo, latte e miele, ai miei desideri. E spremevi le labbra del piacere, e ti se ne contorceva la faccia, e alla fine di tutto mi guardavi tra il panico e l’amore per poi benedirmi con il peso della tua saziata stanchezza. Io ti accoglievo al mio fianco, con quel languore che era tuo, con quella pigrizia che era anch’essa tua, in quell’alito di odori conosciuti che era tuo. E allegra e felice mi avvolgevi con braccia d’avorio e con gambe solide, spessi tronchi di carne sangue muscoli, impaurendo la notte, impaurendo la notte e tutte le lune. La luna più grande, il satellite di maggiore intensità e splendore, era il tuo viso. Il tuo viso nel sonno, l’aria che entrava lentamente e profondamente dentro di te, le narici minuscole che si dilatavano, unico segno che non era la morte ad essere sopravvenuta, nonostante l’amore uccida e faccia stragi, come aveva assassinato me al tempo in cui avevo digiunato senza te, accumulando peccati invece di remissioni.
Te ne sei andata? Dove sei finita?"


Em português é assim:


Pois eras branca, meu amor, e caminhavas de uma forma como se estivesses enganchada no vento, deliciando o chão com o rumor de teus passos. Alteava-se a tua cabeça com nobreza, e teus olhos, generosos e verdes, prometiam todos os líquidos. Teu colo era de leite, transparente e adocicado, e teus seios brotavam fartos firmes copiosos; e eram os rosados botões de teus mamilos apenas nódoas passageiras no meio de oceanos de brancuras. Branca, branca, teu corpo era uma torrente de leites, lastimoso leite, ao qual me habituei em noites igualmente brancas.
E passaste? Para onde foste?
Lembro-me do que éramos nós duas. Éramos só as duas, uma ansiando pela outra. Nós nos queríamos, não havia engano. E eu te queria mais do que tudo, mais do que meu pai, minha mãe, meus irmãos; e, talvez mesmo temendo, te submetia, leite e mel, aos meus desejos. E espremias os lábios dos prazeres, e contorcias o rosto para, ao fim e ao cabo me olhares entre pânico e amor para depois me abençoares com o peso do teu cansaço saciado. Eu te recebia a meu lado, na languidez que era tua, na preguiça que era a tua, no hálito de odores conhecidos que era o teu. E alegre e feliz me envolvias com braços de marfim e com pernas sólidas, grossos troncos de carne sangue músculos, apavorando a noite, apavorando a noite e todas as luas. A lua maior, o satélite de mais intensidade e maior brilho, era tua cara. Tua cara no sono, o ar entrando em ti devagar e profundamente, as narinas dilatando-se minúsculas, único sinal de que não era a morte que te chegara, muito embora o amor chacine e mate, como a mim assassinou no tempo que jejuei sem ti, acumulando pecados ao invés de remissões.
Passaste? Para onde foste?



Quinta-feira, Janeiro 27, 2005

 

Isto é mais um teste. Este é um blog de alguém que não tem a mínima idéia de como se faz um blog. Desculpem a bagunça.


Terça-feira, Janeiro 25, 2005

 
Por favor, assinem os posts deixados. E deixem vários, muitos.


 
Olá, pessoal. Pois inauguro oficialmente este blogue. Aceito comentários, sugestões e xingamentos. Será que funciona?


Segunda-feira, Janeiro 24, 2005

 
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