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Quinta-feira, Março 31, 2005

 

Ah, o fastio que isso me dá

Hoje, em Zero Hora, saiu matéria sobre o lançamento da Jornada de Passo Fundo em Porto Alegre. Corretamente, o jornal apresentou a Jornada, alguns convidados para ilustrar a matéria (gente muito bem escolhida, como o Nelson de Oliveira) e comentou acerca da polêmica aquela, a de ausência quase completa de autores gaúchos. Procurada, Tânia Rösing preferiu não se manifestar sobre o assunto. Oficiosamente, sabe-se que a organização do evento refuta a acusação. Mas não prova nada, não diz quem vai e quem não vai. Se cala. Só isso: se cala. Como o político corrupto aquele (não estou chamando a Tânia de corrupta, pelamor!) que não tem nada a dizer, que prefere não dar declarações.
Dona Tânia vai deixar o assunto morrer na casca (de onde, afinal, nunca deveria ter saído). Ela simplesmente, acima de qualquer suspeita, ignora o assunto. Nem com ela é, deixa assim que tudo vai acabar bem. Claro que sim, em pizza, reedição ordinária das mazelas deste país. Dona Tânia, na ingenuidade dela (sim, é uma ingênua. Por isso, ganha no grito), não precisa responder à comunidade literária. Ao contrário, esteve no gabinete do presidente da república para fazer o convite oficial. o presidente não virá, chegar a Passo Fundo é meio complicado. Mas Lula quis saber mais detalhes. E a Tânia respondeu que o evento não era para vender livros, mas para fomentar a leitura.
Atenção, escritores. Não queiram vender livros, porque senão não se fomenta a leitura.
Atenção, escritores. A única mercadoria que voês têm para vender e ganhar uns caraminguás não interessa à Jornada. A Jornada quer fomentar a leitura, e ninguém precisa comprar ou vender livros.
Como se vê, é um erro atrás do outro. Mas dona Tânia agüenta e suporta e vai fazer um show em Passo Fundo.
Quem for verá.


 

Porto Alegre fugiu de casa!

Fabricio Carpinejar e Dudu Nasi têm lançamento marcado pra hoje, quinta, às 19h, nas Livrarias Porto, do Shopping Iguatemi, aqui de Porto Alegre. Os dois autografam Porto Alegre e o dia em que a cidade fugiu de casa. O livro é fofo, uma verdadeiro parque de diversão. Fabro assina o texto e Dudu assina as maravilhosas e divertidas ilustrações.Distribuição de pipoca e a de algodão doce.


Quarta-feira, Março 30, 2005

 

Grilos

Pois a Elaine Maritza, agora editora da Artes e Ofícios, avisa que, no dia 5 de abril, será realizado o lançamento da coleção Grilos, a partir das 19h, na Livraria Cultura do Bourbon Country de Porto Alegre. Os autores, Caio Ritter, Celso Gutfreind e Luís Dill, que escreveram, respectivamente Debaixo de mau tempo, Grilos e Letras finais, conversam antes dos autógrafos sobre formação de leitores.
Biscoito fino.


 

Coyote

Pois o Rodrigo Garcia Lopes avisa que chega a revista literária COYOTE chega ao seu 10° número. A edição traz um dossiê com o poeta Horácio Costa, poemas-em-prosa da uruguaia Marosa di Giorgio (traduzidos por Jussara Salazar), fragmentos do roteiro de Lost Zweig, novo filme de Sylvio Back e um impressionante ensaio fotográfico de Cris Bierrenbach.
A revista, que é um arraso, é uma publicação da Coyote Edições, editada pelos poetas Ademir Assunção, Marcos Losnak e Rodrigo Garcia Lopes. Projeto gráfico de Marcos Losnak e Joca Reiners Terron. Tem periodicidade trimestral e distribuição nacional (em livrarias) pela Editora Iluminuras ( www.iluminuras.com.br).


 

Filhos

Pois o casal aí de cima, pra quem não consegue ver (tava muito escuro), é a Tânia Carvalho e o Felicinho, que estiveram aqui em casa num festerê (a Tânia me deu o lindo colar de contas que adorna meu monitor). Reparem, caros internautas, que ambos têm a foto de uma linda menina, a Marina, netinha deles (é filha do Fabiano, o mais velho da Tânia). Trouxeram a foto à festa para se exibir. A Marina é linda, linda. E merece todos os mimos e apertos e todas as lágrimas da Tânia (que começa a falar da netinha e os olhos ficam molhados de alegria. Uma das mais belas cenas que presenciei na vida). Os pais que ainda náo têm netos se roeram de inveja.


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Enquanto isso, quis o destino eu acompanhasse a história de um casal que tentava adotar uma criança em São Paulo. Uma mãe de 26 anos a caminho de seu sétimo filho não podia dar o sustento e prover a menina que trazia na barrigona e fez-se o contato entre quem precisava doar e quem queria aceitar. Furaram a fila, porque havia a disposição da mãe de dar o nenê para a adoção, contanto que fosse para o casal em questão.
Na audiência em que seria dada a custódia definitiva da criança, o juiz sentenciou que, furada a fila de adoção, o casal não teria direito à guarda do bebê. Existia uma fila.
Fila.
Gente na fila querendo criar os nenês que as mães não podem criar. Processo que se arrasta e demora e que ninguém entende porque é tão demorado. Quem quer amar uma criança não pode esperar em fila. Amar é para ontem, para agora, urgente.
No entanto, as pessoas levam anos e anos. E as coisas se arrastam. E as crianças crescem. E os pais que querem adotar envelhecem.
Pô, mas qual é? Não é o caso de a gente pegar em armas?


Segunda-feira, Março 28, 2005

 

E agora, José?

Pois dor-de-cotovelo, que não é a da fossa, é a coisa mais deletéria e contraproducente da Internet. Tem gente que quer falar e não pode, tem gente que quer bater e não pode, tem gente que quer ser visto e não pode, e faz tudo no anonimato.
Visitando o site do Marcelino Freire, um daqueles que é parada obrigatória, vi que o autor de "Angu de sangue" botou no ar um post sobre a Jornada de Passo Fundo, comentando, na passagem, o imbróglio que eu comecei. Lá pelas tantas, um Escobar Nogueira destila veneno contra mim. Por que, segundo ele, na época em que eu trabalhava com editora de livros em Zero Hora, ele me pediu para resenhar um livro dele, ue viria a ser o primeiro de sua (dele) carreira. Mais um dos 90.000 que chegam à redação diariamente. Disse a ele que autor estreante tinha de ter paciência, não podia dar atenção ao livro em apreço (que, segundo o autor, salvaria a humanidade). Ele, no comentário deixado no Marcelino, relembra a história e faz uma gracinha sobre minha literatura e a da Clarice Lispector --- dizendo que o bom de meu livro mais recente é o primeiro conto e que o resto ele leu na autora de "A hora da estrela".
Tua vingança tá lá registrada, ô Escobar. Se depender de um resenhista para um livro ser livro, a literatura tá perdida. E se perde para a humanidade aquele que podia vir a ser autor.
Tadinho.

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Em outra passada, para curar a indignação, dei uma chegada no blog do Tailor Diniz. Um tal de José diz que o Tailor é aquele cara que incentiva autores gaúchos, que elogiam uns aos outros, e assim vamos levando.
Esse tipo de coisa dá um sono danado.
Pô, José. Até quando?


 

Novidades, nova semana

Pois a semana depois do feriadão começou agitada, como era de se esperar. Novidades que eu tinha de ter colocado no ar antes: os escritores Luiz Paulo Faccioli e o Tailor Diniz são os mais novos blogueiros da praça. Acompanhem as andanças do autor de "Estudo das teclas pretas" e de "Um terrorista no pampa" através dos endereços www.luizpaulofaccioli.com e www.tailordiniz.zip.net.
Vale a pena, povo.


Sábado, Março 26, 2005

 

Tomar no cu

Sábado, dito de aleluia, acordei com alguma dificuldade depois da noitada de ontem, festa de aniversário da Roberta Maestri, uma das proprietárias da Torta de Sorvete. Risotos maravilhosos, cerveja com marguerita de acompanhamento. Um arraso.
Me fui comprar uns vasos e terras e mais adubo para arrumar as plantinhas de casa. Gosto do momento agrícola este, mas quase nunca me dou ao direito. No caminho, fiquei pensando no caso da Tânia Rösing, irritada com o pensamento constante que me tem assediado, a irritação com a prepotência dessa senhora. Me lembrei de uma historinha, que passo a contar, como exemplo de que as coisas podem, e devem, ser bem diferentes.

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No longínquo ano de 1995, eu cursava a Oficina de Criação Literária da PUCRS, ministrada pelo escritor Luiz Antonio de Assis Brasil. Se hoje eu sei alguma coisa, e pouco sei, foi por obra daquelas aulas miraculosas, deleite puro. Em algumas tardes, depois da aula, o Assis, um gentleman, me dava o prazer da companhia dele. Eu, novata, fascinada com a literatura, queria ouvir o que ele tinha a me dizer e enchia o mestre de perguntas. E ele, naquela placidez que lhe é peculiar, me contava histórias, de como tinha escrito isso e aquilo, de como tinha sido a viagem para falar aos leitores de um lugar e outro, de como as coisas se operavam na vida dele. Apesar da brutal diferença de bagagem e da discreta diferença de idade (ele é uns 12 anos mais velho do que eu. Mas é sábio como se tivesse uns 90 a mais), a gente se tornou amigo. Amigo assim, no duro, de rir junto, de contar coisas escabrosas, de se acompanhar. Era bom, e até hoje me sinto privilegiada com a amizade dele e da Valesca, a mulher dele, outra criatura adorável.
Pois numa dessas conversas, eu me acostumando à candura do meu amigo, o Assis -- que sempre acreditou que eu ia ter uma boa carreira como escritora --- vaticinou algo que eu julgava e julgo impossível: "Tu vais ver, um dia vais ganhar o prêmio Casa de Las Américas". Ri muito dele, que insistiu no assunto. E insistiu, porque ele queria que eu também acreditasse que eu podia ser uma escritora. E insistiu naquilo. Tanto. que eu, constrangida, tive uma única reação:
--- Ah, Assis, pára com isso. Vai tomar no teu cu.
Ele caiu numa saborosa gargalhada. E riu, riu, riu, e me disse que só eu mesmo podia dizer uma coisa daquelas.
No caminho, de volta para casa, eu relembrava do diálogo. E, claro, me lembrei de mim mandando aquele senhor, um escritor maduro, um homem de educação e gosto refinado, tomar no cu. Fiquei mortalmente constrangida, quis que o tempo voltasse para eu corrigir o desaforo, queria me enterrar de vergonha. Por quem, afinal, eu estava tomando o Assis, por um de meus amigos que estão acostumados com minha veia de boquirrota?
Em casa, comentei o caso com o Luiz Paulo (meu marido, pra quem não sabe). O Luiz Paulo ponderou que aquilo não era coisa que se fizesse, o Assis era um homem civilizado, não era um dos amigos que são obrigados a ficar ouvindo horrores da minha boca, que eu fosse pedir desculpas com urgência.
Corri ao computador e escrevi uma mensagem, caprichada nas gramáticas e nos léxicos da vida, com o pedido de desculpas mais constrangido da minha vida.
Uns 15 minutos depois, veio a resposta à minha mensagem.
Na resposta, que eu abri de pronto, o Assis me afirmava que nunca, em tempo algum, se sentiu ofendido ou desrespeitado com meu destempero verbal e que eu não tinha nada do que me desculpar. Pelo contrário, ele se sentia muito bem, porque se eu tive tal grau de intimidade com ele, é porque o queria de coração e que respeito não tinha a ver com aquele tipo de besteira. E disse que a pior coisa que ele enfrentava era o tratamento cerimonioso que as pessoas dedicavam a ele, essa perda de naturalidade que sempre ele sentiu ao tratar com quem quer que fosse. Finalizava a mensagem pedindo que eu fizesse o favor de nunca tira dele o sagrado direito de ser tratado como trato qualquer outra pessoa. E que o mandasse tomar em qualquer lugar, desde que eu sentisse que era isso mesmo que eu queria dizer.
Fiquei ali, basbaque. E compreendi que as pessoas são iguais na vida. Algumas são melhores porque dão liberdade a outras. E mais passei a respeitar aquele de quem já era fã de carteirinha.
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Pergunta que não quer calar: se o Assis, que é o Asiss, nunca se sentiu superior a ninguém, se sempre quis ser tratado como igual pelas pessoas, por que a Tânia Rösing se acha mais e melhor do que quem quer dela uma singela resposta a uma pergunta?


Sexta-feira, Março 25, 2005

 

Gaucholândia

Pois com relação à polêmica (sim, ela existe) relacionada à Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo (pra quem não sabe, mandei pra Tânia Rösing, organizadora da Jornada, uma carta aberta me queixando da falta de autores gaúchos. Ela subiu nas tamancas, xingou os repórteres que a procuraram e não me respondeu), alguém me fez um comentário. Por que eu queria autores gaúchos na Jornada? Não sou eu que luto contra a idéia de uma tal literatura gaúcha?
É, sou.
Pois me meti nesta nhenha com esta senhora só por amor ao debate. Acho que a gente, os gaúchos, viviam tendo de provar para o mundo que eram grandinhos, que a produção local era bacana, que a sombra do regionalismo passou e deixou de nos assombrar. Durante tempos, a gente ficou que nem aquela criança que quer mostrar pra mãe que já sabe fazer coisa de adulto, olha só, São Paulo, olha só, Rio de Janeiro, aqui tem gente que cria histórias, com personagens, cenários, coisital. Era que nem mostrar que a gente sabia andar de bicicleta sem usar as mãos. Uma façanha. (E que fique bem claro: o que a gente queria era ser lido pelo resto do Brasil, catzo.)
Não sei, faço parte da turma há apenas 10 anos, mas acho que a história de nós, como escritores de verdade, começou na Oficina do Assis, que reúne quase 500 alunos egressos, cujos vínculos não se diluem assim no mais. Quando a gente finalmente solidificou um sistema literário, que se caracteriza, acima de tudo, por um ambiente bom, com interlocução saudável e gente torcendo a favor dos iniciantes, parece que um caranguejo do balde vem e puxa todo mundo pra baixo. É isso.
Se dona Tânia faz um showzão em Passo Fundo, ninguém tem nada a ver com isso. Mas é um espetáculo bancado com grana da gente. E trazendo só gente de fora, do exterior, com estrelas do eixo. E nosso pessoal, os autores que estão remando contra a corrente, não vão a Passo Fundo.
Tem gente que nunca foi a Passo Fundo. Tem gente que foi a Passo Fundo pra dar curso disso e daquilo e pôde falar pruns 10 carinhas no máximo. Tem gente que foi a Passo Fundo para conversar com os leitores mirins e pôde se manisfestar por 15 minutos, que as crianças tinham outras atividades. Tem gente que foi a Passo Fundo pra ficar babando ovo de estrela. Tem autor gaúcho que até foi convidado, mas teve de aturar a aterrissagem de um político, que ficou falando do umbigo dele e como era legal o partido dele e que ainda cantou Bob Dylan pra uma platéia que não tinha mais como ajeitar a bunda na cadeira.
Com a grana dispendida com um figurão, dona Tânia levava, por baixo, 5 ou 6 autores gaúchos pra falar com seus leitores, incluindo toda a comunidade passo-fundense, que merecia participar do evento (a inscrição é paga, e o número de vagas, limitado). Esses autores poderiam vender seus livros lá, promover o trabalho que estão fazendo, botar uns pilas no bolso e ajudar a solidificar o sistema.
Mas não acontece nada disso. A Tânia, nuns achaques de provincianismo, acha que espetáculo só se faz com gente de fora.
Mas não é de se irritar?


 

Sexta-feira, feriado

Sexta-Feira da Paixão. Ruas quase desertas, bacalhau na mãe, vinho tinto. Não sei como se comemorava nas outras casas a tal sextga-feira esta. Na minha, como sou judia, era a oportunidade que a gente tinha de viajar. Lá íamos nós, a bordo do Galaxie do pai, para Punta del Este ou para Montevidéu. Para quem se lembra, no rádio só era possível escutar música clássica, tudo muito comportado. Só depois de casada, fui entender o que se faz e o que é a data. Um atraso na minha formação. Hoje em dia, para acompanhar o resto do mundo, a mãe faz bacalhau. E a gente come. E pronto, acabou o feriado.


Quinta-feira, Março 24, 2005

 

Os escritores se manifestam

Ah, esqueci de dizer. Reecebi mais de 40 mensagens de AUTORES apoiando minha carta. A Associação Gaúcha de Escritores tomou posição a meu favor de forma irrestrita. Não é pouca coisa. A falta de resposta atinge todos aqueles que se manifestaram. J
Boa Páscoa pra quem acredita.


 

Tânia Rösing fugindo do debate. Por quê?

Pois a tal carta aberta à Tânia Rösing (no post anterior, pra quem ainda não leu) continua sem resposta. Aliás, uma leviandada da parte da Tânia, a quem sempre atribuí uma civilidade e uma capacidade de diálogo comparáveis à força de trabalho que ela demonstra. Por enquanto, nada. E não considero que uma demanda minha -- ou de qualquer outro escritor --- mereça ficar sem resposta. Enviei uma resposta à falta de resposta. Eis aí:

Prezada Tânia,
depois de receber apreciável quantidade de emails de autores gaúchos apoiando minha correspondência a ti dirigida no dia de ontem, 22 de março de 2005, (aquela alertando sobre a ausência de escritores gaúchos na Jornada), ainda sinto a falta de uma resposta à mensagem em causa. A despeito de ser carta aberta, ainda assim era carta destinada a ti, organizadora do evento. Foi carta aberta porque creio que falo em nome de uma esmagadora maioria de autores que gostariam de estar em Passo Fundo dialogando com seus pares e porque acho que esse tipo de discussão merece ser estendida à comunidade literária. Mas, antes de tudo, repito, era carta dirigida a ti. Eu teria merecido, por civilidade mínima, uma resposta que iniciasse a sempre bem-vinda discussão. Afinal, trata-se de uma escritora gaúcha conversando com a coordenadora da Jornada de Passo Fundo. Sei, melhor do que ninguém, o quanto aprecias o debate e a troca de idéias.
Até aqui, sequer te dignaste a te manifestar, e não creio, com franqueza, que desdenhes de qualquer correspondência minha, uma vez que, estou convicta disso, sabes quanto prezo a Jornada, na qual, inclusive, já tivemos oportunidade de trabalhar juntas.
Procurou-em há pouco um jornalista, perguntando-me se a carta em apreço de fato era de minha autoria. Louvável a iniciativa do jornalista: checar as fontes e a procedência das informações. Mas o telefonema deu ensejo a que o mesmo jornalista me comentasse que a Jornada está divulgando uma lista de autores gaúchos participantes. Desnecessário, pois uma simples visita ao site da Jornada e a biografia dos autores convidados dá uma clara visão da quantidade de autores gaúchos, nacionais e estrangeiros. De qualquer forma, me ressinto: enviaste a lista (que é de convidados, lato sensu, enquanto falo de autores, stricto sensu) a um veículo de comunicação e não a mim, que a ti me dirigi de forma direta e sem nenhum subterfúgio escuso. Insisto no ponto: há número ínfimo de autores presentes.
Dei-me ao trabalho de uma contabilidadezinha: dos 125 autores listados na Jornada e Jornadinha (sim, há uma série de eventos paralelos, como um encontro da Academia Brasileira de Letras, cursos e encontros), menos de 10 são autores gaúchos. Nos eventos de maior destaque, os que acontecem no Circo da Cultura, no Palco de Debates, não há autores gaúchos. Ali, naquele palco, acontece o grande evento. Ali, de frente para o picadeiro que acolhe 4 mil espectadores, a Jornada ganha estatura e sentido. As demais atividades, todos sabemos, têm público reduzido, fato a lamentar e a ser corrigido em outras edições. Por mais que enumeres quem participou e quando da Jornada, sempre o fato vai ser o mesmo, nunca vai ser alterado: os autores gaúchos não estão lá, e se estão, ainda são em tímida minoria.
Não sei o que acontece que não me vem nada mais teu e de ti somente sei por terceiros, mas ainda estou no aguardo. Inisisto no diálogo e no debate. Quer jeito melhor de a gente melhorar?
Novas saudações literárias,
Cíntia Moscovich


Quarta-feira, Março 23, 2005

 

Jornada de Passo Fundo: onde estão os gaúchos?

Pois deu bafão. Ontem, terça-feira, chegou emílio aqui na telinha anunciando que a programação da Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, organizada e dirigida pela professora Tânia Rösing, já estava pronta. Fui lá ver e, putz!, no meio de mais de 100 autores nacionais e estrangeiros, tinha uns poucos gaúchos (o Moacyr Scliar, o Ricardo Silvestrin, O Carlos Urbim, a Regina Zilberman, o Mário Pirata) e estamos conversados. Achei uma sacanagem, ainda mais que está virando tradição excluir autores gaúchos da Jornada. Para que o pessoal que não mora aqui no Estado entenda, é como fazer um evento em São Paulo e não convidar os autores paulistas. Ou como se a Flip não convidasse autores brasileiros.
Enviei uma carta aberta, e bem aberta, à Tânia, com cópia prum monte de gente. Tá aqui a carta:

Tânia,
com alegria redobrada recebi notícias da programação da Jornada deste ano. Mais uma vez, é uma satisfação saber que Passo Fundo acolhe a literatura.
Uma só coisa me causa estranheza, coisa que já te comentei uma vez e que acho que vale a pena voltar a comentar: os autores gaúchos não estão na programação. Nada contra diretamente. Mas me sinto no direito de fazer objeção e de tentar mais uma vez alertar sobre a grande lacuna que tal ausência pode deixar.
Talvez por questões bairristas, talvez por apego a uma literatura que parece surgir para o restante do país somente agora, creio que nossos autores (repara o pronome possessivo. Um pouco mais, e fundo um CTG literário) deveriam dizer presente. Há anos lutamos pelo reconhecimento da literatura produzida aqui, que sempre foi vista pelo restante do país como de iniciantes, coisa feita por uma gente que vive nos cafundós e que toma chimarrão nos finais de tarde, depois de amarrar o pingo na frente de casa. Sempre quisemos, quer na direção do Instituto Estadual do Livro, quer como jornalistas da área cultural, que nossos autores fossem reconhecidos como autores de peso que são, cuja produção merecia ser vista e apreciada. Queriamos furar o tal bloqueio do eixo Rio-São Paulo, que parecia monopolizar a literatura dita de qualidade feita no Brasil. Queríamos que deixassem de nos considerar os autores de uma literatura datada e marcada por um certo tom regional. Queríamos que, mais do que uma literatura gaúcha (existe isso?), nossos autores pudessem angariar o mesmo prestígio de autores cuja certidão de nascimento foi expedida em outros lugares deste país.
Conseguimos. Não estamos mais de cueiros, tampouco de gatinhas.
Um verdadeiro fenômeno editorial, sem precedentes, ocorreu no ano passado, quando as grandes editoras nacionais, como a Record, a Objetiva e a Companhia das Letras começaram a publicar autores gaúchos. Com isso, passamos de autores regionais a autores nacionais, e nossa literatura é vista e aplaudida no restante do país. Nem cito meu caso particular, sem dúvida o mais modesto de todos, mas lembro de autores como Claudia Tajes, David Coimbra, Liberato Vieira da Cunha, Amilcar Bettega Barbosa, Michel Laub, Fabricio Carpinejar, Marcelo Carneiro da Cunha, Luiz Paulo Faccioli, Carlos Moraes, Charles Kiefer, Tabajara Ruas, Leticia Wierzchowski, Daniel Galera, Daniel Pellizzari, entre vários outros, que ganharam notoriedade no centro do país. Não são mais "autores gaúchos", no sentido pejorativo que o termo possa ter. São autores que estavam insulados e esquecidos, vivendo num outro universo cultural que, não por acaso, fazia parte da imensa e festejada variedade do mosaico verde-amarelo.
Dado a lamentar, nenhum deles está na programação da Jornada. São autores que freqüentam eventos como as Bienais de Rio e São Paulo, os encontros patrocinados por grandes bancos, como o Itaú, a Festa Literária Interncional de Parati, os salões de livros europeus. Não que a Jornada perca notoriedade e importância sem esses autores. Mas perdem os autores gaúchos de se encontrarem e confraternizarem com seus pares de outras regiões, naqueles saudáveis encontros que, fugindo do bairrismo, conseguem mapear a produção nacional, respeitando as particularidades locais. Num evento que tem patrocínio e apoio do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, da Lei de Incentivo à Cultura, que capta recursos junto às empresas gaúchas, os autores gaúchos estão presentes em número minguado. Moacyr Scliar, José Antônio Pinheiro Machado, Sérgio Capparelli e Regina Zilberman, que são, exceção feita aos professores de literatura, os autores gaúchos de maior peso na Jornada, diluem-se entre os mais de 100 autores nacionais e estrangeiros presentes. Tudo isso num ano em que o homenageado é Erico Verissimo e no qual o tema da Jornada é Diversidade Cultural: o Diálogo das Diferenças. E num ano em que a Jornada, como diz o texto de apresentação, tenta favorecer a integração, "um olhar lançado sobre a realidade caleidoscópica em que se constitui a multiplicidade dos povos deve constituir-se como uma linha de unidade no contexto da diversidade. Somos todos intelecto, afetividade, emoção, espiritualidade".
A Jornada, infelizmente, volta a reprisar a mesma falta verificada em suas edições anteriores, nas quais se chancelou a vinda de autores de peso, a esmagadora maioria deles de outras regiões do país. Como organizadora da Jornada, estou segura de que te preocupas com a representatividade e com a multiplicidade de visões. Também estou segura de que Passo Fundo quer fazer bastante mais do que um espetáculo: Passo Fundo quer a valorização da literatura, quer fomentar a leitura, quer formar leitores, quer dar incentivo a quem mora aqui, produz aqui e faz questão de dizer que é daqui. Os mesmos autores que, trabalhando naquilo que amam, dão a Passo Fundo o estofo para realizar um evento grandioso em nome das letras.
Peço que penses e ponderes. Creio que esta mensagem pode servir como o início de uma saudável discussão.
Saudações literárias,
Cíntia Moscovich
Escritora e jornalista


Terça-feira, Março 22, 2005

 

Segunda-feira, a bici, a aula

Pois na segunda, depois de um domingo curando a ressaca de uma festa no sábado (depois dou mais detalhes), foi dia de pegar a bicicleta e, a bordo do capacete que eu ganhei do Peter´s Friends (depois dou mais detalhes), fui dar uns bordejos pelaí. Sol de rachar, lomba acima, e lá fui eu, de costura no meio dos carros, atropelando pedestres para não ser atropelada. No fim, tudo deu certo. Depois, hora e tempo de dar aula na minha oficina de conto. O Carpinejar, que dá oficina de poesia, propôs de juntar as turmas. Foi bom. Bom falar de literatura, bom ler Machado com a gurizada.
Na volta, recebo email da Ronize Aline, avisando que tinha resenha de livro meu no Paralalos. Quer quiser ler um texto super bonito e elogioso, vale a pena dar uma olhada em www.paralelos.org.
E. antes dos morféticos braços, uma passada no Doidivana, da Ivana Arruda Leite, que é uma das minhas paradas obrigatórias. Lá ela anunciando que a gente vai estar juntas na Bienal do Rio.
Na boa, Ivana: a escolha foi bonita pacas. A gente vai dar tudo de si. E ainda vamos rir uma beirada.
(Saudade do Marcelino, do Joca, da Indigo, de toda a turma de Sampa. Tomar uns cevas na Mercearia São Jorge.)
Fui.


Quinta-feira, Março 17, 2005

 

Rio, aí vai nóis

Isso tá parecendo mural de assessoria de imprensa. É que a gente quer falar de todo mundo, quer dizer que, poxa, tamos aí, coisital. Uma coisa que não posso deixar de dizer é que estaremos, a fofa da Ivana Arruda Leite (a autora de Falo de mulher) num dos bate-papos da série Encontros Paralelos, da Bienal do Livro do Rio de Janeiro (no Riocentro. Sempre me lembro da bomba que estourou no colo dum fiadaputa. Quem não lembra?).
No dia 21, às 15h. Falando sobre traição.


 

Fatais

Pois na terça-feira, 22 de março, aqui em Porto Alegre, na Casa de Cultura Mario Quintana, um novo grupo de autores lança uma antologia muuuuuito bacana. Fatais traz contos de Marcelo Spalding, Luiz Paulo Faccioli, Caco Belmonte, Filipe Bertolini, Laís Chaffe, Christina Dias, Flávio Ilha e Luciana Veiga. O pessoal montou uma espécie de cooperativa-editora, chamada Casa Verde. Acho que vale bem a pena dar uma olhada.


 

Rescaldo das férias, ainda

Tô lutando para fazer tudo o que tenho de fazer na volta. Estive de níver, no dia 15 (data da morte de Júlio César, vejam vocês). Nesse meio tempo, o Digestivo Cultural me brindou com mais um mimo: resenha do meu "Arquitetura do arco-íris" por Ana Elisa Ribeiro. Algo tudo de bom, que me deixou super feliz. Dêem uma olhada.


Quarta-feira, Março 16, 2005

 

Eu voltei!

Pois, tal qual filha pródiga, eis-me de volta aos pagos, depois de estada em paradisíaca praia catarinense. Há novidades, várias delas. Mas a mais legal e mais gostosa foram os acessos registrados durante minha ausência de casa. Pelo carinho, agradeço a todos quanto. (Até um interessad0 em namoro internético surgiu no período. Pode?)


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