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Sábado, Abril 23, 2005
Sorry...
Andei afastada por várias razões. Primeiro, porque não conseguia acessar a página, algo a ver com o servidor. Depois, porque o Grêmio Náutico União, clube que fica nos fundos de minha casa, resolveu sediar um campeonato de natação --- com a locução e aparelhagem de som de discoteca. Como a quadra toda é uma caixa de ressonância, não havia alternativa. Ou havia, sim: tentar fazer meus direitos de cidadã, apelando pras autoridades. As tais das autoridades se revelaram um fiasco, aiaiai. Que eu encaminhasse, protocolasse, telefonasse, me dirigisse. E o baile rolando. Tentei avisar para o prefeito Fogaça, novinho que é, que tá tudo uma esbórnia. No gabinete prefeitural, uma senhora de nome comprido (algo a ver com Marisa, mas cheio de mais letras), me barrou no baile, tentando me passar para outra repartição. Fiquei furibunda. Quem já passou por isso sabe. Trabalhar em casa tem dessas. ******** Na semana que está terminando, um monte de coisas. Comecei a ler a obra completa do Quintana (serão lançados os 3 primeiros livros dele) e achei bem bom. Edição da Globo, fixado por Tânia Carvalhal. Também ganhei um troféu da Câmara Rio-Grandense do Livro. Sou amiga do livro, foi bonita a festa, pá. E juro seguir na luta. ********** Para o pessoal da minha tribo, um feliz Pessach. Nossa Páscoa, a festa da passagem, na qual lembramos que fomos escravos no Egito. Não que tenhamos nos esquecido. Mas é que muita gente anda escravo por opção, e tem de ser lembrado. Chag sameach!
Terça-feira, Abril 19, 2005
E vai rolar a festa
As coisas me levam pra longe, sempre as coisas, embora a vontade seja a de ficar. Hoje à noite, recebo, com muito orgulho, o troféu Amigo do Livro, da Câmara Rio-Grandense do Livro. É festa, motivo pra gente se alegrar. De alguma forma, levo toda a nossa gente comigo hoje. já que se comemora o Dia do Livro e do Direito Autoral. Minha briga sempre foi pra que a gente não tivesse que dar de graça a única ooisa que a gente tem pra vender. Beijos em vocês.
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Contrapontos são bons e necessários. Na última sexta-feira, o Ruy Carlos Ostermann me convidou para o Gaúcha Entrevista, da briosa Rádio Gaúcha, para falar sobre a nhenha da Jornada. Tudo em paz, com a participação, por telefone, do Luís Augusto Fischer e do Marcelo Carneiro da Cunha. Mal saio do estúdio, e me telefona um amigo da Universidade de Passo Fundo, contando algumas coisas. A Tânia Rösing havia telefonado para rádio dizendo que o programa estava sendo gravado. Chegou a insinuar, segundo minha fonte (que pediu sigilo), que a RBS estava contra a Jornada, porque tem me dado voz. Esse tipo de atitude, de Grande Irmão, só pude ver uma vez, há muitos anos atrás, ainda no tempo da ditadura. Havia censura explícita até de peça de teatro adolescente. Volta a censura, e logo de quem não quer admitir o diálogo. Lembras da dona Solange, a censora? Reencarnou. Boa, né?
Quarta-feira, Abril 13, 2005
Diálogo com a mãe judia
O diálogo abaixo, juro, aconteceu. Dêem uma olhada. Filha telefona para a mãe. — Mamãe, como vai a senhora? — Assim, assim. Mais ou menos. E você? — Torci o joelho na aula de ginástica. — Torceu o joelho? Mas o que você fazia na aula de ginástica? — A senhora foi comigo ao médico. Ele mandou eu me exercitar. — Você vai à ginástica porque é uma folgada. Nunca trabalhou. — Como assim? — É, é isso mesmo. Você nunca trabalhou, nunca fez nada, recebeu tudo pronto. — Mamãe, eu me mato trabalhando. E o meu joelho com isso tudo? — Você vive nessa casa, porque eu trabalhei, porque eu dei duro para manter as coisas todas depois que seu pai morreu. — E o meu joelho? — Ah, agora quer mudar de assunto. Não quer ouvir a verdade. — Que verdade, mamãe? — Você não sabe? Não quer admitir que quem fez tudo fui eu. — Mamãe, a senhora. Não está me escutando. Eu machuquei meu joelho. — Pois é. Ao invés de dar duro como eu fiz a vida inteira, vai à ginástica. Você não tem vergonha na cara, não tem consideração comigo. Depois de tudo o que eu fiz. — Mamãe, eu estou lhe contando que machuquei o joelho. — Que joelho? — O direito. — Então porque você não fica em casa? — Mamãe, eu ESTOU em casa. Com dor no joelho. — Está em casa porque eu trabalhei para que você tivesse casa. — Mamãe, eu tenho de desligar. — Já sei, não quer ouvir o que eu tenho para dizer, não é? Seu irmão está deprimido. E também estou deprimida, tenho contas para pagar e não tenho dinheiro. — Mas meu irmão está deprimido faz tempo, uns cinco anos. A senhora, já nem sei quantos anos faz que está deprimida e que não sabe como pagar as contas. — Depois de tudo o que eu fiz, ainda tenho de ouvir esssas coisas. Eu estou deprimida porque ninguém reconhece o meu esforço. Para que criar filhos? Se eu tivesse que fazer tudo de novo, ia viver a minha vida, não ia me preocupar com o futuro de vocês. — Adeus, mamãe. Do outro lado da linha, o telefone é desligado. Sem uma palavra.
Amigos do livro
Como acontece todos os anos, no dia 19 próximo, terça-feira, a Câmara Rio-Grandense do Livro faz a entrega dos troféus Amigo e Personalidade do Livro 2004.A festa começas às 20h, no teatro Bruno Kiefer, da Casa de Cultura Mario Quintana. A personalidade do livro deste ano é o lutador Galeno Amorim. Eu, com uma alegria que quase me faz cair as orelhas, sou uma das amigas do livro, junto com o Instituto Goethe, o Projeto Pró-Ler Ouro e Prata/UniRitter, Roque Jacoby e Yvette Zietlow Duro. Não estou na melhor das companhias? (E, o que é melhor, a deferência me vem de uma gente realmente honesta e trabalhadora. Mil vivas.)
Triste fim
O site Capitu saiu do ar. Cakko, o criador e responsável pelo internético sítio, que era uma referência no meio literário, se retira. Depois de cinco anos operando no vermelho, o triste fim. Somos poucos, e cada mais mais somos menos.
A poeta, água na pedra
Cm relação à causo Tania Rösing, ainda (isso não pára: já nem agüento mais a discussão, na qual pateticamente a maior envolvida, acima do bem e do mal, não se manifesta). Continuo recebendo telefonemas e emails. Informações de colegas da imprensa, de todos os veículos, relatam-me que, procurada, La Rösing prefere não se manisfestar. É um direito dela não dar entrevista. Legal, mas imoral, como se sabe No meio disso tudo, recebo a bela mensagem, que reproduzo abaixo, assinada pela poeta Maria Carpi. Vejam só que doçura: " Minha pequena notável:
Tenho acompanhado o teu desejo de dialogar com Tânia. Dizes as coisas com lisura e gostarias de ser correspondida. E o silêncio impera. Mas insistes. Essa tua insistência torna o diálogo valioso e cristalino: a água na pedra. Tudo na vida, se observarmos melhor as coisas ao derredor e em nós mesmos, acorda porque insistimos. A paciência do lavrador. Ou a paciência ardente de Rimbaud.
Queres que o escritor gaúcho seja reconhecido em sua terra. É quase ir contra as escrituras: nenhum profeta é aceito por sua gente. Não foram Lila Ripoll, Santiago Naud, Walmir Ayala, Lara de Lemos, Alceu Wamosy, Heitor Saldanha, só para citar alguns poetas. Mas tu insistes. É preciso dar um passo mais fundo. Se não te ouvirem pela razão, vão te ouvir pelo cansaço. E o cansaço da rocha já é um começo de lucidez. O cansaço de não ouvir e continuar não ouvindo. O cansaço de ordenar as coisas sem a outra voz, o outro olhar, o outro rosto. Mas tu insistes.
Tens a insistência de uma verdadeira israelita, a que move montanhas. E a nobreza de que teus companheiros de ofício sejam respeitados no sagrado direito de encontrar o seu público leitor.
Com gratidão, Maria Carpi"
Segunda-feira, Abril 11, 2005
Deep Step
No final de semana, no sábado, melhor dizendo, saiu uma matéria minha no caderno de Cultura de Zero Hora, na qual conclamava Tânia Rösing para o debate (dê uma olhada aqui.) Interessante: choveu telefonema, alguns acólitos de Tânia se manifestaram, outros, menos corajosos, denunciaram desmandos em Passo Fundo. Não posso saber, sei do que vejo. E vejo que a senhora em questão não se manifestou. Nem o fará. Se ela pretendesse o suicídio, seria fácil: só pular de cima do ego dela. *********** O mais legal de tudo, que merece aplauso, foi a Zero Hora ter aberto espaço pra discussão. Que, claro, existe. Uma atitude corajosa da Cláudia Laitano, editora-executiva do Segundo Caderno, e de Eduardo Veras, editor do Cultura. Sei que meu ponto de vista não reflete o ponto de vista do jornal, é evidente. Mas deram espaço e ouvidos. Cansei de ouvir gente dizer que a mídia isso e aquilo, uma queixa só contra a imprensa. Trabalhei com eles, sei que se trata de gente séria, que está atenta ao debate e às idéias. Eles acataram a manifestação de uma representante da comunidade cultural local. Muito bacana.
Sexta-feira, Abril 08, 2005
Taí, ó

Atendendo a inúmeros pedidos, vindos absolutamente do mundo inteiro, aqui estou eu, de capacete de bicicleteiro --- dando a maior bandeira da paróquia. Apesar dos óculos, que não uso quando estou tripulando, e da caixinha de trufas, que muito menos levo quando estou no guidão, o aspecto final é até respeitável. Faltam as luvinhas e a bici, propriamente dita. (Se você, amigo escritor, estiver naqueles momentos em que não sai uma vírgula sequer, aproveite e dê uma volta de bicicleta. Pode não adiantar grande coisa para a literatura. Mas a gente se diverte uma beirada.)
Quinta-feira, Abril 07, 2005
Bici, bike
Faz tempo que não vinha por aqui. Tempo mesmo. Envolvida com as coisas de viver, nem sempre dá pra fazer todas as coisas da vida. Talvez seja isso, exatamente, o maior problema filosófico, o de ordenar as coisas pela sua importância implícita e deixar outras coisas, nem tão importantes, para trás. Ou para depois. ****************** Toca a fazer ginástica, perder as toneladas que ganhei nos últimos dois anos (para quem não sabe, sou eu aquela formiga atômica que anda pelas ruas de Porto Alegre numa bicicleta e com capacete vermelho-metálico). Ontem, numa dessas expedições à saúde, que passam pelo ridículo, encontrei ali no Bom Fim a atriz Mirna Spritzer. Que trazia, pela coleira, Sissi, uma filhotona de poodle coisa mais linda, que é da laura, filha linda da Mirna. Dia desses, encontrei, na mesma situação humilhante, o Giba Assis Brasil e a Irene Brietzke. Acenos e risadas. Aos que moram em Porto Alegre, atenção, portanto: sempre que derem de cara com algo meio estranho numa bicicleta roxa com um cestinho na frente, parem que sou eu.
Sexta-feira, Abril 01, 2005
Amálgama
Uma resenha muito legal sobre meu Arquitetura foi publicada na Revista 18, editada pelo jornalista Luís Krausz. A resenha, assinada por Moacir Amâncio, é das mais belas que já li. Dê uma olhadinha basica clicando aqui
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