Pois vou dar uns bordejos pelaí durante um mês. Saio, a bordo de marido, para acompanhá-lo nas vidas e indas que a vida impõe. Vou mas volto. Enquanto isso, podem deixar comentários, que vou dar uma olhada enquanto estou fora.
E para aqueles que estranham e até nem gostam que escritor se ausente do lugar do trabalho --- escritor tem mais é que sofrer, que história é essa de ficar afastado aproveitando o que a vida tem de bom? ---, meu abraço.
Do pó se veio, ao pó se volta. E no meio tempo, a gente tem mais é que se divertir. Aquelabraço
Uma das atividades mais encantadoreas da semana que está terminando foi a visita à Escola Municipal Vila Monte Cristo, na Vila Nova, aqui em Porto Alegre. O pessoal montou uma feira do livro e, através do Projeto Autor Presente, do Instituto Estadual do Livro, me convidaram para falar com os alunos.
Um encanto. Crianças e adolescentes super a fim de conversar, pessoal bem organizado, leitores muito bem orientados. A alma da sede de ler da Monte Cristo é a professora Rosinaura, que junto a uma maravilhosa equipe, cuida da biblioteca e dos trabalhos. A meninada tem até um jornal virtual, que pode ser conferido
aqui.
É isso aí: sai Severino, entra a meninada de cara limpa e coração tranqüilo. Dá gosto.
Pesquei no Clic RBS os indicados a patronos. Aí vai:
Alcy Cheuiche Nascido em Pelotas, em 1940, é cronista e romancista. A maior parte de sua obra desbrava os territórios do romance histórico. É autor, entre outros, de Sepé Tiarajú, O Mestiço de São Borja, Lord Baccarat, A Mulher do Espelho, Nos Céus de Paris, uma biografia romanceada de Santos Dumont, e o recente Jamal Lubnann.
Carlos Urbim Nasceu em Santana do Livramento em 1948. É jornalista e autor de histórias infantis. Seus livros mais conhecidos são Um Guri Daltônico, Diário de Um Guri e Saco de Brinquedos. Sua obra mais recente é o infantil Bolacha Maria.
Charles Kiefer Nasceu em Três de Maio em 1958. Estreou na ficção em 1982, com a novela Caminhando na Chuva, reeditada este ano. É poeta e ensaísta, mas é mais conhecido por sua produção ficcional em romances como Valsa para Bruno Stein e A Face do Abismo e em livros de contos como Dedos de Pianista.
Cintia Moscovich Nasceu em Porto Alegre em 1958. É escritora, jornalista, mestre em Teoria Literária e foi diretora do Instituto Estadual do Livro do Rio Grande do Sul. Em 1995, ganhou o Concurso de Contos Guimarães Rosa, da Rádio France Internationale, de Paris. Entre suas obras, estão O Reino das Cebolas, 1996, que rendeu indicação para o Prêmio Jabuti e Duas iguais: Manual de Amores e Equívocos Assemelhados, 1998, com o qual ganhou o Prêmio Açorianos de narrativa longa.
Fabrício Carpinejar Poeta, jornalista e mestre em Literatura Brasileira pela UFRGS, Carpinejar nasceu em Caxias do Sul em 1972. É autor dos livros: As Solas do Sol, 1998, Biografia de Uma Árvore, 2002, Caixa de Sapatos, 2003 e Cinco Marias, 2004. Ganhou o Prêmio Açorianos em 2001 e 2002, na categoria poesia.
Frei Rovílio Costa Nasceu em Veranópolis, no ano de 1934, cursou o Seminário Menor na mesma cidade e ordenou-se membro da Ordem dos Capuchinhos em 1960. Formado em teologia, é editor e diretor da EST publicações. Professor e historiador, escreveu e organizou vários livros sobre a questão da imigração.
Juremir Machado da Silva Nascido em 1962 em Santana do Livramento, é escritor, jornalista e historiador. É doutor em Sociologia pela Universidade René Descartes, Paris V, Sorbonne. Entre suas obras, Muito Além da Liberdade, 1991, A Noites dos Cabarés, 1991, A Prisioneira do Castelinho do Alto da Bronze, 1993, e O Pensamento do Fim do Século.
Luis Augusto Fischer Luís Augusto Fischer, 45, é professor de literatura brasileira na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e escritor. Organizou as edições anotadas de Contos Gauchescos e Lendas do Sul, de Simões Lopes Neto. Publicou os livros de contos Rua Desconhecida e o Edifício do Lado da Sombra.
Luiz de Miranda Nasceu em Uruguaiana, em 1945. Poeta, trabalhou ainda como redator publicitário e em diversos veículos de imprensa. Foi o primeiro presidente da Associação Gaúcha de Escritores, em 1982. Lançou este ano o poema em cantos Nunca Mais Seremos os Mesmos.
Martha Medeiros Porto-alegrense, cronista e poeta, começou trabalhando na área de Propaganda e Publicidade. Em 1993, a literatura fez com que a autora, que nessa ocasião já tinha publicado três livros, deixasse de lado a publicidade e se mudasse para Santiago do Chile, onde ficou por oito meses escrevendo poesia. É cronista do jornal Zero Hora, de Porto Alegre. Entre seus livros, Strip-Tease, 1985, De Cara Lavada, 1995, Topless, 1997 e Trem-Bala 1999.
Vou fazer figa, me cercar de pés de arruda, tomar banho de sal grosso, dizer xô pra olho gordo. Porque ando feliz.
O Waldir da Silveira, presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, telefonou para perguntar se concordo em ser uma das patronáveis.
PATRONÁVEL!
Significa ser cotada, entre dez indicados, para patrona da Feira do Livro de Porto Alegre. Ainda não tenho toda a nominata, mas sei que haverá gente com mais chão e mais obra que merece o patronato. Só a indicação, no entanto, já me dá uma satisfação do tamanho de um bonde.
E viva a Feira do Livro, que é um evento da gente, dos escritores, dos leitores e de todos aqueles que amam livros.
Fazia um tempão que não vinha por aqui. As coisas de viver me absorveram, porque nunca absolvem, e fique ausente. Antes de mais nada, quero agradecer a todos que mandaram mensagens, emails, telefonaram e postaram aqui no blog por causa do Jabuti e por causa da final ao Portugal Telecom. É impressionante que as pessoas ainda conseguem ser felizes com a felicidade dos outros. O que me deixa esperançosa, ainda mais num dia caro à pátria como o de hoje.
Então é isso, algo que tenho a pretensão de ter descoberto: o escritor precisa, continuamente, de ter seu trabalho revalidado. Prêmios, como o Jabuti e o Portugal Telecom, eventos como feiras, salões e bienais, tudo isso carimba o passaporte do escritor. Porque quem trabalha com literatura parece fadado a trabalhar com nada, com uma abstração que não merece crédito.
Festejemos.