Ois, meu povo. Resolvi vir aqui mais seguido. Se eu não cuidar das minhas coisas, ninguém mais cuida. Ando num momento meio estranho: acabei de acabar um livro, penso em vê-lo pronto, sonho com isso. Mas tenho uma sensação estranha, que deve ser igual a de ter um filho e não poder dar de mamar. Sei lá, algo assim.
Puerpério. No duro. Quem escreve sabe.
Há bastante trabalho a ser feito, além das minigâncias domésticas. Fiquei sabendo que o Michel Laub publica livro novo ainda este ano. Já li, e achei um arraso. Com a notícia do Michel, decidi: a orelha de meu novo livro vai ser feita pela adorável Claudia Tajes. Uma fofa, que ficou tri-feliz com o convite. A Claudinha é uma das poucas pessoas sobre a terra que sabe valorizar este tipo de convite.Sabe que nasceu um filho meu e que ela vai levá-lo nas costas junto comigo. Uma segunda mãe do livro, o
Por que sou gorda, mamãe?E me deixou feliz com a alegria dela. Seremos comadres cruzadas, uma vez que tive o privilégio de orelhar um livro dela.
Não é tudo de bom?
E a Laís Chaffe, uma das integrantes e mentoras da editora Casa Verde, está pondo mãos na massa do
Contos de bolsa. São minicontos que têm como protagonista, personagem ou assunto a mulher. Muito bacana.
Por último. Falando com dona Eva Sopher, a incansável batalhadora, que levantou do chão o maravilhoso Theatro São Pedro aqui de Porto Alegre, soube que está paralisado o projeto do Multipalco, um megacomplexo cultural, erguido nos fundo do atual teatro. Grana tem, muitos empresários se dispuseram a ajudar, bem como o Governo do Estado. Onde é que emperrou? No Conselho Estadual de Cultura, que normatiza a aplicação de recursos de iniciativa privada para empreendimentos culturais. Uma Lei Rouanet estadual. O CEC está paralisado na burocracia, querem saber quando custaram os azulejos colocados no banheiro do teatro há 20 anos atrás. E como é que se vai saber? Por que que eles não querem saber outras coisas?
Ah, e antes que eu me esqueça: agradeço àquelas pessoas que me escreveram em solidariedade pela lamentável encrenca em que me meti. A troca de correspondência via jornal Rascunho com a dupla dos irmãos Sandrini, do Paraná, me deixou de queixo caído. E não só a mim. Pobre Estado do Paraná, que tem de abrigar dois paulistas que nem São Paulo quis.
Fui.