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Sexta-feira, Agosto 25, 2006

 

É, não deu

Eu bem que tentei. Tentei, mas não deu. Tentei ao máximo possível manter os comentários, mesmo os de mais baixo calão e origem. Tudo em nome de um politicamente correto que me transformava em saco de pancadas de meninos cheios de testosterona e pouca testa. Quem acompanhou sabe do que estou falando. Quem não acompanhou e quer saber, me pergunta em particular via email.
A discussão baixou a tal nível, as ameaças obsessivas foram de tal ordem, que resolvi simplesmente deletar alguns comentários Resolvi que isso não ia mais ser a casa da mãe-joana. Que a mãe-joana e sua família montassem um site, blog, grupo de discussão para fazer autopromoção em outro canto. No meu canto, não quero isso. Xô!
Isso aqui é lugar pra gente falar da vida, de literatura, tecer comentários e discordar com base em boa argumentação. Eu quero mais é me divertir, sem correr risco de topar com o ódio escorrendo na tela do computador.
Portanto: vade retro, gente do mal. Bem-vindos aqueles que pelo bem vêm.
Só a literatura vale a pena. Onde os egos se inflamam, a primeira vítima é a civilidade.
Fui.
Bom fim de semana pra vocês!


Comentários:
Oi!
Beijos do *CC*
 
Discutamos literatura, pois.
Question: pode alguém afirmar que resenhou um livro sem tê-lo lido ao todo? Ou, nós,leitores, somos todos ingênuos ao acreditar que um resenhista lê de fio a pavio tudo aquilo que critica? Leia-se o trecho abaixo, extraído da resenha "Tristes exemplos", publicada no jornal Rascunho em fevereiro, e que ele sirva para iluminar as perguntas acima:

"Faltavam doze contos, e decidi que não iria perder mais meu tempo com eles. Acalmado o primeiro impulso e tentando ser justo, dei ao livro uma segunda chance: escolhi outros três de forma aleatória. Infelizmente, a má impressão persistiu. Resolvi então desistir da empreitada. Não via sentido algum em assinar uma resenha de todo negativa, mesmo com o pressuposto que seria apenas uma opinião e, como tal, sujeita a réplicas, tréplicas e toda sorte de discordância. Sempre defendi o
silêncio como a crítica mais contundente. Entretanto, minha intenção durou apenas três dias, o tempo de descobrir na internet um artigo bastante elogioso ao Códice... que me fez atinar que, se alguém conseguira encontrar beleza numa obra que tanto me desagradava, o contraditório precisava ser dito. Foi como decidi romper com outro princípio e retornar ao trabalho, garantindo a mim mesmo uma espécie de benefício da dúvida."

A crítica, então, vem à tona em face de uma outra, elogiosa, que precisava ser contestada, apenas porque a obra "Código d’íncríveis objetos" (grafada assim mesmo,
na gravata do texto: erro de revisão?), ou melhor, "Códice d'íncríveis objetos & Histórias de Lebensraum" desagradou o resenhista. Question, once again: isso é exercício crítico ou apenas egocentrismo?
Para quem quiser ler a resenha na íntegra e ter uma visão geral do contexto, é só copiar e colar as linhas abaixo no campo de endereço do seu navegador:
http://www.rascunho.ondarpc.com.br/index.php?ras=secao.php&modelo=2&secao=25&lista=0&subsecao=0&ordem=404&semlimite=todos

Ao autor, Paulo Sandrini, é negado (em tese) o direito de réplica no mesmo veículo da "crítica", o que seria sinal de afetação e uma tentativa artificial de valorizar
o livro "resenhado"?, segundo a Sra. Cíntia Moscovich.
Novamente, para uma contextualização adequada do debate, abaixo o link da réplica
do Sr. Paulo Sandrini:
http://www.rascunho.ondarpc.com.br/index.php?ras=secao.php&modelo=2&secao=25&lista=0&subsecao=0&ordem=572&semlimite=todos

Questions, again & again: porque então a carta abaixo, o que constitui uma tréplica, se a melhor atitude é aceitar opiniões contrárias? Essas opiniões contrárias não podem partir do autor da obra criticada? Não tem ele o direito de defendê-la? Isso vai de encontro a toda e qualquer postura literária, sendo um fato sem precedentes?

Abril - 2006

Com relação à matéria Tristes sádicos (?), assinada por Paulo Sandrini na edição de março deste estimado periódico, tenho a destacar minha mais profunda tristeza e imenso tédio. Sandrini contesta uma resenha feita por Luiz Paulo Faccioli, matéria não muito elogiosa sobre seu livro Códice d'estranhos objetos, réplica que ocupa uma página inteira do jornal. Um saco - desculpo-me pelo vulgo e chulo do termo. O autor, que é designer ou que vem das artes gráficas, parece não conhecer muito das sutilezas do ofício literário. Se todo escritor ficar rebatendo na imprensa as cajadadas que recebe no lombo, não restará uma única folha de papel no universo a ser impressa. Sandrini, caro novel autor, me permita a sugestão: a gente (a gente, os escritores) leva a bordoada e fica bem quietinho. Se o resenhista está equivocado e se o livro é bom, o tempo, com sua alta e intransponível sabedoria, vai dizer. Não dá pra ficar batendo boca em público, muito menos tentar dar valor a uma obra desancando resenhista. Já se viu muito disso. Mais do que o suficiente. Outra: haja paciência pra ver o autor desencavar o que sabe de teoria literária, sem ter noção suficiente do que fala. Pobre estética da recepção, pobre ética, pobre de todos os outros quejandos. Outra: não dá pra ver autor sacando Dante do coldre, sem conhecer as armas da tradução. Ora, todo mundo agora usa intertextualidade, achando que é a grande bazuca do momento - o que sobra do tiro é pó de traque. Mas dá um sono... Outra: o autor usa o verbo "medrar" para significar "ter medo ou receio". Lá nosso Houaiss avisa que o que "medra" é, no mais das vezes, planta boa ou erva daninha, além de o verbo, em seu infinitivo, resultar num anagrama pouco educado para ser aqui citado - mas que bem caberia. Por outro lado, existem algumas regras na literatura, sim, Sandrini. Por exemplo: escritor tem de conhecer a língua em que escreve. Obrigatório um dicionariozinho, nem que seja daqueles escolares. Senão o escritor vira, como diria o outro, o mais crasso dos estultos. Finalmente: como Sandrini é dado a fuçar na vida das pessoas e a enfiar goela abaixo do editor normas e ditames para o texto impresso, já encurto o caminho. Sou casada com o Luiz Paulo Faccioli - que pediu que eu me calasse sobre o assunto. Como adoro contestar meu marido, escrevo. Mesmo se não fosse a mulher do resenhista, escreveria essa missivinha. Para dizer que estou triste e cansada de ver tanta gente querendo adivinhar a quadratura do círculo com a literatura. Ao prezado editor, relembro que gravatas devem remeter a alguma coisa dita no texto. Como é que Sandrini anuncia na tal gravata-linha-de-apoio que Faccioli é juiz de gatos de raça, algo que não vai usar adiante e que não quer dizer nada? Como é que a edição deixou passar esse verdadeiro pastel que embola o meio da área? Uma coisa é certa: cada um faz o que pode, nunca o que quer, né mesmo? Tristes trópicos, esses nossos.
Cíntia Moscovich - Porto Alegre - RS

Vai aqui o link da carta: http://www.rascunho.ondarpc.com.br/index.php?
ras=secao.php&modelo=5&secao=2&lista=1&subsecao=8&ordem=0

Aos leitores deste blog, ficam duas perguntas: será o casal Faccioli-Moscovich tão tolerante quanta aparenta nos seus comentários? O "monológo" literário e a presunção, travestidos de bom senso e civilidade, é promovido por qual das partes?
Sou leitora assídua do Rascunho e venho acompanhando os debates.
Li o livro "O Estranho Hábito de Dormir em Pé", do Sr. Paulo Sandrini, e achei fabuloso, por que seu texto não se prende às pequenas questões cotidianas de cunho pseudo-autobiográfico, e se o faz, e quando faz, é para subvertê-las até o limite do absurdo e do fantástico, que é o verdadeiro mote que domina a obra.
E agora estou tendo o prazer de ler o "Códice d'íncríveis objetos & Histórias de Lebensraum" (não "Códice d'estranhos objetos", Sra. Moscovich) e continuo me deliciando com a ironia e o fantástico dos contos, verdadeiras alegorias, ou metáforas, de cunho universal. Em síntese, um autor que sabe transformar sua aldeia numa nau para navegar o mundo. E que tem leitores e leitoras prontos a defendê-lo, já que o seu direito de autodefesa foi, é (e parece que continuará sendo) negado.

cassiafgoulart@hotmail.com
 
Oi, CC. Tudo na paz? Bom que tu vieste por aqui.
E Cássia, se é que existes, já que é de literatura que se fala, falemos. Acredito que um resenhista minimamente sério deve ler de fio a pavio o livro resenhado. Mas é evidente. A pergunta, claro, é retórica, ninguém seria tão tolo de perguntar. Se leres com atenção e beeeeeeeeeem devagarinho o que está escrito no lionk citado, vais entender isso, que o livro foi lido na íntegra. Quanto a autor "defender" seu texto, qual o sentido de escrever? Escrever para ter direito a segundo tempo? Para fazer ensaio e treino? O autor escreve, e é essa sua melhor resposta e depoimento. O autor não pode ficar ao lado de cada leitor ou resenhista dizendo como e de que maneira o livo deve ser lido. Se o autor não consegue seduzir seu leitor, terá falhado. E não há o que fazer. Vários autores comentam a sensação de impotência e de vazio depois que o livro é dado ao editor. O livro não tem mais dono: é do mundo. Não há defesa para textos ruins. E isso, bom ou ruim, quem decide é o leitor. Como eu decidi, como o resenhista decidiu, como tu decidiste. A propósito deste assunto, recomendo ler o "Bartebly" do Melville e depois o do Villa Matas. E erros de edição são de responsabilidade do editor.
Abraços e gracias pela visita de vocês dois.
 
Oi, meus povos. O Duda me avisou que baixaria rolou. A gente dá uma saidinha e, pimba!, tudo acontece. Essa senhora, a Cássia, tem 70 anos e quatro netinhos? É isso, Cássia? Vovozinha malvada...
 
Pena; brigar pra quê?
Tomem muito cuidado;
esse azul é um gramado;
esse sol é uma rosa;
essa lua é uma flor na madrugada;
não é?
não se responde crítica literária;
nunca;
somente idiota;
então,
pra ligar pra?
delirante que ele mesmo escreve recado sem dar o nome?
o doente está doente.
então, deixem o louco a uivar;
o doente é doente.
e não há não como curar o recalcado.

o que é ainda mais triste que.
 
Oi, Roman. Poxa, muito obrigada pelo texto/poema. Não vale mesmo a pena brigar. Vale a pena ler uma msg assim.
Beijos!
E CC, teu livro lindão chegou por aqui!
 
Mas ainda tá nisso? Legal. O maaaaaaaaaaais interessante de tudo é que os pentelhinhos não se deram conta de onde buscar o que estão procurando. Eu vi a coisa ridícula do peixinho. Mal sabem eles que aqui é que moderam a isca. Hehehe. Otários.
Bjs,
Marco
PS: Vc se viu na exposição da Clarita?
 
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