Com relação ao post aí abaixo, aquele que reproduz a crônica de David Coimbra protestando contra a existência dos meninos de rua, levantou-se uma polêmica. Um jornalista, um dos caras mais cultos e eruditos e informados e tudo-de-bom que eu conheço (o nome eu dou depois, sei lá se ele quer ver seu nome nessa arenga), escreveu para Luiz Paulo, meu marido, argumentando coisas potentes e polêmicas. Que a noção de liberdade que têm os meninos de rua e os moradores de rua em geral não é igual à nossa, de classe média, judaico-cristã, internet, tv a cabo, geladeira e comida na mesa. Ele lembra que quando passa a ronda da prefeitura, todos os moradores de rua se escondem. Querem a vida do jeito que escolheram, dentro daquilo que, para eles, é liberdade. A liberdade de não ir para um albergue pulguento, de não ser currado, roubado, lavado, limpado, alimentado. De não ser subjugado na única coisa em que eles podem mandar na vida deles.
A pergunta é: isso é liberdade? Escolha?
Sei lá. Tô pensando. Tive o impulso de ir contra a mensagem do jornalista. Mas me detive para pensar.
O que cês acham?
Faz frio em Porto Alegre. Nariz gelado.
E essas crianças, e essa gente, tá na rua. Amanhã, vai ter gente morta por hipotermia. Morador de rua que não güentou o tranco de uma noite que vai acabar em geada.