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Sexta-feira, Setembro 01, 2006
Manifesto
Segue aí embaixo correspondência enviada por Waldir da Silveira, presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro. Trata-se de um manifesto que pede, preto no branco e sem vinculações partidárias, que o candidato eleito para a presidência se comprometa com a causa do livro e da leitura. E que não fique fazendo cara de paisagem. Leia até o fim. E assine o manifesto, enviando-o ao email indicado. Povo do Livro:
Mais uma oportunidade nos é apresentada de escolher novos rumos para nosso Brasil. É de vital importância que nossos candidatos nesta próxima eleição, e futuros mandatários, tenham consciência de que nós, o povo do livro, o povo que pretende viver um Brasil pleno, como cidadãos informados e capazes de opinar e escolher os caminhos a serem trilhados por nossa nação, estamos atentos e seremos intransigentes: precisamos levantar a bandeira da educação e da cultura à prioridade nacional. Exigimos a oportunidade de acesso a uma formação democrática, com informação ampla através principalmente dos livros - colocados à disposição em bibliotecas, escolas, empresas -, dos jornais, das revistas, da internet, enfim, do pensamento retransmitido, discutido, absorvido e transformado em cada indivíduo. Acreditando que esta seja a base para o futuro de nosso país, encaminhamos aos amigos do livro cópia do manifesto elaborado por entidades e personalidades do mundo do livro no Brasil e que será entregue, a partir da próxima semana, aos 4 principais candidatos a Presidente da República nas eleições de 2006. É um esforço daqueles que militam na causa do livro e leitura para que este tema seja convertido em política de Estado, acima dos governos e das pessoas. Além de sua assinatura, seu auxílio é muito importante para levar esta empreitada adiante retransmitindo o manifesto e tornando-o uma de nossas bandeiras para o futuro do país. Nosso prazo é curto - até o próximo domingo, 3 de setembro - para fechar a lista de adesões. Segue cópia do manifesto. Para enviar sua adesão, basta clicar no endereço manifesto@livroeleitura.org.br . Não esqueça de informar nome completo, profissão/função, cidade, estado e, se for o caso, instituição a que pertence.
Sorte para todos nós, brasileiros, e que o povo do livro ajude a alcançarmos um Brasil muito melhor.
Waldir da Silveira Presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro
MANIFESTO DO POVO DO LIVRO
O acesso ao livro e a outras formas de leitura – como jornais, revistas e Internet – deve ser assegurado a toda a nação brasileira. Independentemente de credo, raça, faixa etária, necessidade especial, escolaridade ou condição econômica, todo brasileiro, como ser humano que é, deve ter garantido seu direito inalienável à leitura como meio de transmissão do conhecimento, entretenimento, de desenvolvimento pessoal e profissional e, portanto, de cidadania. Em um país como o Brasil – onde apenas um entre cada quatro habitantes está habilitado para a prática da leitura; onde nossas crianças ocupam os últimos lugares nos estudos internacionais sobre compreensão leitora; onde o índice nacional de leitura é de menos de 2 livros lidos por habitante/ano; e onde a maior parte dos milhões de alfabetizados nas últimas décadas tornou-se analfabeta funcional – a leitura precisa e deve ser tratada como uma prioridade nacional. A Educação e a Cultura são áreas estratégicas dentro do projeto do desenvolvimento nacional e da cidadania. A escrita e a leitura constituem não só o mais forte amálgama entre elas como o caminho indispensável para a formação do cidadão crítico, emancipado, inserido em seu meio e capaz de modificá-lo. Embora não seja a via única de acesso ao conhecimento e à informação – o que compartilha com outras linguagens, como a visual e a eletrônica –, o livro continua a ser a maior invenção do último milênio e a ocupar um papel central na sociedade. A leitura gera condições para decodificar, interpretar, compreender e se fazer entendido, criando, assim, as condições necessárias para o ser humano se comunicar com os seus iguais. De tal forma que, ao promover o seu desenvolvimento em todos os aspectos, o ato de ler o credencia a buscar maior participação social e política e a exercer sua cidadania em plenitude. As conquistas e os avanços obtidos nos últimos anos nas esferas federal, estadual e municipal necessitam ser preservados, mas não só. Precisam ser ampliadas e ganhar a dimensão que o tema merece. Programas e projetos de acesso ao livro e às outras formas de leitura, de formação de agentes multiplicadores (como os educadores, os bibliotecários e os voluntários), de valorização do ato de ler no imaginário coletivo, e, ainda, de fortalecimento da economia do livro devem ser convertidos em política de estado – acima dos governos e das pessoas. Tornar a questão do livro e da leitura uma política pública significa aprofundar o vínculo das ações de Educação e Cultura e, sobretudo, dotar a área de uma estrutura administrativa e orçamentos capazes de atender às grandes demandas existentes. Os esforços feitos até agora pelos diferentes governos merecem o devido respeito, porém ainda são insuficientes para o Brasil começar a saldar essa dívida social com o cidadão e a cidadania, com o livro e a leitura. O Estado deve garantir as condições necessárias de acesso ao livro gratuito aos seus cidadãos. A biblioteca é um serviço público e dever do Estado, tal como a saúde e a educação. Para tanto, o Estado deve cumprir, de forma cabal, a Política Nacional do Livro e dar, a partir de 2007, prioridade total à revitalização da biblioteca pública. É ela o meio mais eficiente de proporcionar educação continuada à população e, dessa forma, ser instrumento de democracia e de política social. É, pois, fundamental e urgente que todos os municípios brasileiros tenham pelo menos uma biblioteca e que a rede existente – municipal, estadual, federal, escolar, universitária e comunitária – seja fortalecidas e reequipada para atender ao cidadão brasileiro dentro dos padrões mínimos internacionais: com bons e diversificados acervos de livros e outros materiais; pessoal qualificado e estimulado; e recursos permanentes para manutenção, atualização, formação e fomento. A Lei do Livro, a Câmara Setorial e o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) devem ser aprofundados e ganhar maior efetividade, materializados em projetos, programas e investimentos, em todos os rincões do país, sobretudo nas áreas menos favorecidas. Às vésperas de se comemorar os 200 anos da impressão do primeiro livro no país – que ocorreu em 1.807, após a chegada da família real portuguesa – faz-se urgente e indispensável tornar o Brasil uma nação verdadeiramente de cidadãos leitores. A prática social da leitura é, afinal, o caminho para onde apontava a legião de brasileiros notáveis – integrada por escritores como Monteiro Lobato e tantos outros – como a estratégia de enfrentamento do drama da fome, da pobreza, da ignorância e da violência urbana para colocar o Brasil , aí sim, no rumo do desenvolvimento, da justiça social e da solidariedade.
Brasil, setembro de 2006. manifesto@livroeleitura.org.br
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