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Quinta-feira, Agosto 31, 2006
Prêmios e outros
Finalmente, depois de viagem a São Paulo, consigo chegar. Verdade que estou chegando faz tempo: tanta coisa acumulada, que nem consigo me sentir em casa. As paredes me estranham, e eu busco a intimidade perdida. Mas hoje peguei o touro à unha e decidi me fixar nas minhas coisas de viver. Nesta semana, já saíram os finalistas de dois prêmios bem bacanas. O Portugal Telecom, cuja lista segue abaixo, em ordem alfabética: O antinarciso, de Mário Sabino (Record) Cachorros do céu, de Wilson Bueno (Planeta) Cinzas do Norte, de Milton Hatoum (Companhia das Letras) A História dos ossos, de Alberto Martins (34) Margem de manobra, de Cláudia Roquette-Pinto (Aeroplano) O mundo inimigo, de Luis Ruffato (Record) Parte alguma, de Nelson Ascher (Companhia das Letras) Quase uma arte, de Paula Glenadel (Cosac & Naify) A Vida agarrada, de Cláudia Ahimsa (edição do autor) O resultado será conhecido no dia 20 de novembro, em São Paulo. Cem mil reais para o primeiro colocado. No ano passado, o Amilcar Bettega Barbosa levou o cheque para a casa. *************** Também o Prêmio Fato Literário divulgou seus finalistas. São eles: Lawrence Flores Pereira, Tânia Franco Carvalhal, Luís Augusto Fischer, Associação Amigos do Livro - Taquara, do Programa de Leitura Adote um Escritor (Câmara Rio-Grandense do Livro). No dia 12 de novembro, no encerramento da Feira do Livro, será conhecido o grande vencedor. Cheque de 40 mil. *************** Agora, estamos preparando o lançamento do Por que sou gorda, mamãe. Deve sair em novembro. Vamos ver o que o povo vai achar. Para mim, foi o livro mais difícil de escrever. E foi em tempo recorde: um ano e meio. Depois falo mais sobre ele. Eu preciso falar. *************** Estou com mais uma turma de oficina. Um pessoal maravilhoso, gente muito boa, amorosa e interessada. Quem diz que a gente não pode ensinar ninguém a ser escritor tem razão. O que a gente pode fazer é dar instrumentos e propiciar que as pessoas falem e se encontrem. Cada vez mais penso que a auto-suficiência em qualquer área de criação é balela. Uns para os outros, para isso a gente cria.
Sexta-feira, Agosto 25, 2006
É, não deu
Eu bem que tentei. Tentei, mas não deu. Tentei ao máximo possível manter os comentários, mesmo os de mais baixo calão e origem. Tudo em nome de um politicamente correto que me transformava em saco de pancadas de meninos cheios de testosterona e pouca testa. Quem acompanhou sabe do que estou falando. Quem não acompanhou e quer saber, me pergunta em particular via email. A discussão baixou a tal nível, as ameaças obsessivas foram de tal ordem, que resolvi simplesmente deletar alguns comentários Resolvi que isso não ia mais ser a casa da mãe-joana. Que a mãe-joana e sua família montassem um site, blog, grupo de discussão para fazer autopromoção em outro canto. No meu canto, não quero isso. Xô! Isso aqui é lugar pra gente falar da vida, de literatura, tecer comentários e discordar com base em boa argumentação. Eu quero mais é me divertir, sem correr risco de topar com o ódio escorrendo na tela do computador. Portanto: vade retro, gente do mal. Bem-vindos aqueles que pelo bem vêm. Só a literatura vale a pena. Onde os egos se inflamam, a primeira vítima é a civilidade. Fui. Bom fim de semana pra vocês!
Quinta-feira, Agosto 17, 2006

Este cachorrinho aí do lado é o Pipoca. O Pipoca, em dezembro passado, foi enjeitado por um casal que se separou. A gente ficou de coração partido, um filhotinho, e pegamos ele para ficar com a gente. Foi difícil a princípio a adaptação, há mais uma cadela e mais quatro gatos em casa. Hoje, no entanto, o Pipoca é a alegria feita bicho. Corre, salta, brinca, lambe, balança o rabinho. E dorme feito um justo, de puro cansaço. Sempre que eu fico muito braba, o Pipoca vem em minha defesa. Deita-se ao meu lado e me acompanha. Se eu levanto, o Pipoca levanta. Se eu bebo água, o Pipoca bebe água. No mais, ele dorme em paz. Quem tem bicho de estimação sabe do que eu estou falando. É bom. Compartilho.
Terça-feira, Agosto 15, 2006
Um boi, uma boiada. E as mulas
Adoro uma briga. Dou um boi pra não entrar. E aquela famosa boiada para não sair. É uma besteira. Não aprendo, não adianta. Já comprei briga com A, B e C. Mas não aprendi o essencial: se a gente fala com uma porta, a porta continua sendo porta, e, pior, a gente passa a também ser porta. Em miúdos: se eu me esforço para buscar interloução onde ela não existe, passo eu a não existir. Aquele com que eu falo me devolve meu próprio reflexo — com a diferença que minha imagem já estará distorcida. Pior pra mim, que tento tirar leite de pedra. Ou fazer porta falar. Ou tentar falar com meninos, querendo que eles me respondam como adultos. Por causa dessa vocação camicase e amalucada, os visitantes deste blog terão notado vários comentários irados e mal-educados, assinados por membros de uma mesma família — dois irmãos — e postados recentemente. Logo aí abaixo: podem conferir e dar risada. Resolvi que não iria retirá-los, os comentários. Quem foi jornalista durante a ditadura sabe o que é censura. Um terror. E quem é jornalista que tem de resenhar livros dos outros sabe que é uma pedreira. Vaidade não tem fim. Estupidez, muito menos. Então é isso: colho os frutos de minha própria plantada tempestade. E ainda dando luz a uma gente bobinha, bobinha. Ai, meus sais. Agora, parei mesmo. No duro. Antes de dar o assunto por encerrado, preciso dar a mão à palmatória: um dos meninos envolvidos no assunto passou do ponto, desancando a gauchada. O irmão, acho que mais velho, resolveu que a coisa ia longe demais e se retratou pelo disparate. Foi uma atitude bacana, civilizada, que merece respeito. Se a gente marcasse pontos, como numa partida, eu diria que o menino marcou um ponto. Foi bonito. E eu devo dar os parabéns. Dói um pouco. Mas justiça seja feita. Fui.
Quarta-feira, Agosto 02, 2006
A comadre Claudia Tajes
Ois, meu povo. Resolvi vir aqui mais seguido. Se eu não cuidar das minhas coisas, ninguém mais cuida. Ando num momento meio estranho: acabei de acabar um livro, penso em vê-lo pronto, sonho com isso. Mas tenho uma sensação estranha, que deve ser igual a de ter um filho e não poder dar de mamar. Sei lá, algo assim. Puerpério. No duro. Quem escreve sabe. Há bastante trabalho a ser feito, além das minigâncias domésticas. Fiquei sabendo que o Michel Laub publica livro novo ainda este ano. Já li, e achei um arraso. Com a notícia do Michel, decidi: a orelha de meu novo livro vai ser feita pela adorável Claudia Tajes. Uma fofa, que ficou tri-feliz com o convite. A Claudinha é uma das poucas pessoas sobre a terra que sabe valorizar este tipo de convite.Sabe que nasceu um filho meu e que ela vai levá-lo nas costas junto comigo. Uma segunda mãe do livro, o Por que sou gorda, mamãe?E me deixou feliz com a alegria dela. Seremos comadres cruzadas, uma vez que tive o privilégio de orelhar um livro dela. Não é tudo de bom? E a Laís Chaffe, uma das integrantes e mentoras da editora Casa Verde, está pondo mãos na massa do Contos de bolsa. São minicontos que têm como protagonista, personagem ou assunto a mulher. Muito bacana. Por último. Falando com dona Eva Sopher, a incansável batalhadora, que levantou do chão o maravilhoso Theatro São Pedro aqui de Porto Alegre, soube que está paralisado o projeto do Multipalco, um megacomplexo cultural, erguido nos fundo do atual teatro. Grana tem, muitos empresários se dispuseram a ajudar, bem como o Governo do Estado. Onde é que emperrou? No Conselho Estadual de Cultura, que normatiza a aplicação de recursos de iniciativa privada para empreendimentos culturais. Uma Lei Rouanet estadual. O CEC está paralisado na burocracia, querem saber quando custaram os azulejos colocados no banheiro do teatro há 20 anos atrás. E como é que se vai saber? Por que que eles não querem saber outras coisas? Ah, e antes que eu me esqueça: agradeço àquelas pessoas que me escreveram em solidariedade pela lamentável encrenca em que me meti. A troca de correspondência via jornal Rascunho com a dupla dos irmãos Sandrini, do Paraná, me deixou de queixo caído. E não só a mim. Pobre Estado do Paraná, que tem de abrigar dois paulistas que nem São Paulo quis. Fui.
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