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Domingo, Fevereiro 04, 2007

 

Literatura - Do caso à obra

Ando que ando, no rema-rema, como todo mundo, aliás.
Andei lendo algumas coisas, poucas, mas que me encucaram. Tipo: "abaixo o livro de papel, viva o livro internético". É claro que não concordo. Nâo depois de pegar na mão um livro. E de cheirar. E de adormecer, e o livro escorregar pelo lençol, fazendo um plact no chão, verdadeira canção de ninar. Eu não mexeria em algumas coisas que deram certo. Não tenho estômago para destruir nada. Se quiserem, me parece melhor que as coisas convivam: uma não exclui a outra.


Mas o que me deixou louca de feliz nas últimas semana e no final/início desta, foram as matérias bárbaras que minha Gorda recebeu. Pela ordem:
Moacir Amâncio, crítico, escritor e tradutor excepcional, foi generosíssimo com o livro. Saiu no Estadão. Como o Estadão requer assinatura para o acesso, deixo o link do meu site, onde o texto poderá ser lido em "imprensa".
No dia 3o de fevereiro, o Marcelo Spalding escreveu para o Digestivo Cultural, do valoroso Júlio Daio Borges. Quem quiser conferir, o link é aqui.
No sábado, ontem, duas outras gratas surpresas: Miguel Conde, do Prosa e Verso, faz uma resenha linda e, de quebra, publica no blog do Prosa entrevista comigo. Muito bacana mesmo. O link do blog é este aqui. Como o Globo tem versão digital, que não dá pra editar (copar ou colar), transcrevo a matéria no site, lá em imprensa. O link é aqui
No Cultura, caderno da Zero Hora, Celso Gutfreind, psicanalista e escritor impressionante, escreve de maneira inquitante. Quem quiser dar uma olhada, o link tá aqui: Literatura - Do caso à obra.


Só uma última consideração: quem escreve quer ser lido. E a imprensa tem, sim, papel fundamental nisso. Podem apostar.


Comentários:
Ela merece! Ela merece! Ela merece!
Não deixa a Inês saber disso (risos). Beijos gordos da mana,
Ana
 
concordo plenamente!

e... é bom vir aqui e ler suas coisas, suas concepções, me faz crer que não estou só com meus botões. [a rima pobre não foi proposital] rs...

inté.
 
Cintia!

passando por aqui pra me atualizar e pra me rechear de tuas palavras!

boas como sempre...

Um beijo!

Samantha
 
Valeu, Cintia, pelo elogio indireto! Abracao, tudo de bom pra voce e o seu livro, Julio
 
Olá, dona Cintia, acabo de descobrir um de seus livros - arquitetura do arco-íris, e procurei você somente pra dizer que seu jeito de contar as histórias me cativou. O que me fez gostar, mesmo, foi o modo como você adjetiva cada detalhe, como dá vida ao que descreve. Acabo de descobrir sua escrita e me tornei fã confessa.

Um grande abraço.
 
SONATA

O que eu sou, quero qeu só eu saiba
e que os outros venham a sabê-lo aos poucos.
Sejam a mim minhas palavras um discurso curto e lento,
Difícil agora mas retrato
Que beije e console, a minha espera
E receba o que não posso guardar.
Quizera eu contemplá-las, as rosas e as estrelas
Cantar na noite o silênio, o fim, a música.
Porém, porque não amo, o mundo de mim se afasta,
E vivo enclausurado atrás dos olhos
Esperando apenado, à angústia, ao sono, ao tédio.
Será que minha infância, que é minha... nem isso,
que qualquer coisa ou ser, até sonhos,
Só se deixa cantar quando se cabe amada. Se não amo,
Só me sobra, esperar, andando pelo meu sangue.
Agora não direi às paisagens, porém devaneios
Jamais saudades, mas anseio e esperança,
E da beleza só pressentimento. E falarei da amada
Hoje uma miragem, amanhã uma visita
Que trará tudo e falará somente
Amor e eenfim a música -- de alegria.

Um beijo
Naeno
 
Acabdo de emergir estarrecido do conto "Cartografia". Nem sei direito o que aconteceu, mas tive que vir até aqui só pra dizer isso.
xo!
 
A lucidez cega e devora...
Estou a beira do caos e, mais uma vez, escrever salva. De mim mesma. Apenas posso salvar-me de tanto ódio. Sentimento intenso, devastador ao qual me submeto exercitando tudo que conheço para aplacá-lo. Acho que tenho conseguido.
Quando acordei, me sentia assim, e de repente lembrei de trechos de tua fala.
Como que tu conseguiu expor teu ódio de forma tão corajosa?
Corajosa é uma palavra arrumadinha. Na verdade tu escancarou o teu ódio, mostrou sem dó nem piedade o que tu sentia. E isto é um ato humano, corajoso, nobre e ... pouquíssimos são capazes.
Cara Cíntia, decidi ler teu livro pela indicação de pessoas que atendo. Quando naquela manhã de segunda feira mais uma paciente havia me perguntado se eu já tinha lido Por que sou gorda, mamãe? e que se eu não tinha ainda lido que lesse logo porque o livro era a cara dela. O que ela sentia pelo fato de ser gorda estava ali. Tuas palavras, se ela conseguisse escrever, seriam as palavras que ela usaria. No primeiro final de semana a seguir esta segunda feira comprei o livro e não o larguei mais. Em alguns minutos me sentia enjoada. Sou mãe também e assim me identifiquei com a personagem da mãe. Não tenho sido uma mãe tão odiável assim. Minha filha já me disse, na adolescência, que me odiava. Minha filha também já conseguiu me demonstrar amor. Teu livro me doeu por dentro. Pela honestidade com os sentimentos, pela clareza, pelo humor, pela inteligência. E hoje quando me sinto tão só e covarde decidi sentar e conversar um pouco contigo. Sobre teu livro...
Um livro como este me fez ver tantas coisas com um pouco de luz. Entendi porque não me atrevo a escrever. Entendi que escrever é escancarar, escrachar, denunciar, acusar e se mostrar por dentro. Não tenho coragem para tanto. Se eu seguisse escrevendo meus venenos, cobras, escuridão viriam a tona. Segredos, recordações violentas nas quais estive a mercê. A deriva. Se escrevesse o que aconteceu, verdade investida de fantasia, fantasia acrescida de verdade viria a tona. E o que poderia me acontecer? O que realmente poderia me acontecer?
A vida é breve. A vida é um sopro e então?
Por que tanto medo?
Querida Cíntia! Teu livro está sendo importante para muitas pessoas. Tuas palavras estão ajudando e iluminando a escuridão de outras pessoas. Pelo que entendi não tens filhos mas posso te garantir que leitores são um pouco filhos porque sentem a autora um pouco mãe. Mãe que alimenta na medida certa porque sábia que é, fica ali. Sobre a cabeceira como uma clara, límpida e fresca jarra de água. As palavras organizadas em frases bonitas ficam ali a espera de uma boca sedenta pelo alento de algo como:
- na passagem do tempo, com dor acumulada, uma pessoa vai se matizando até alcançar o estado informe, baço e cinzento. VOLTA-SE DISSO DEPENDENDO DA VONTADE E DA INTENÇÃO. (maiúsculas intencionais).
Abraço carinhoso e desejo como tu, sair da idiotice das queixas e rasgar o véu da existência com alegria...
Ainda não me mexi. Estou aqui sentando apenas te escrevendo. Não sei ainda como irei resolver o que tanto tem me afligido nos últimos 3 anos mas podes acreditar que teu livro muito me ajudou.
tchau!
elena
 
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