Fui a Belo Horizonte a convite do Museu de Artes e Ofícios, para participar de mais uma edição da série Ofício da Palavra. Pelas minhas contas, sou a terceira participante, precedida pelos ilustres Carpinejar e Marçal Aquino.
Não conhecia o museu, fiquei boquiaberta com o que vi. Um museu que preserva a história do trabalho nas Minas Gerais, com um impressionante acervo, que vai desde balanças usadas para pesar escravos até a reconstituição quente e familiar da cozinha de uma fazenda. O prédio é de babar de tão lindo, reconstituído das cinzas de uma repartição pública. Saem os carimbos, entram as coisas de verdade.
Fui super bem-recebida por Ângela Gutierrez, a mentora e doadora das peças do museu (da maioria delas, pelo menos), pela Fátima Dias e pela Sílvia (que é Rubião de sobrenome e que, não por acaso, é neta do Murilo, e também, principalmente, é poeta e jornalista). O Guilherme, filho da Fátima, foi me buscar no aeroporto e, logo em seguida, eu já estava metida em filmagens.
Para a função, fui mediada pela Leticia Malard, encantadora doutora e também autora, e pelo Zé Henrique Gonçalves, autor e colega de editora. Falei para uma entusiasmada platéia, que também contava com a presença de Sergio Fantini e do Lucas, filho do Zé Eduardo.
Também dei entrevista para a Guga, da Rede Minas, que apresenta o programa Livro Aberto. Uma equipe dedicada, toda ela de leitores, que deve encher de orgulhos os mineiros.
Levou-me ao aeroporto a Adelma, produtora querida, que não cansava de zelar por mim
Uma alegria.
Belo Horizonte é uma linda cidade. Gostaria que todo mundo pudesse visitar aquele povo do bem. Povo que conta com a família dos Gutierrez e com este senso se posteridade que anula o egoísmo e o sentido de posse. Evoé, Ângela!
Eu já tinha prometido para mim mesma que não saía mais para viajar pelo caos aeroportuário. Mas não vivo de brisa. E não vivo sem gente. E não vivo sem essas miudezas que fazem o trajeto dos dias ser visitado por um cálida qualidade de afetos. Estou vivendo como o homem de Drummond, com poucos, raros amigos. Se bem que não tenho bigode ou uso chapéu.
Mas sei ficar comovida como o diabo.
Uai.
12:19 AM
