Prezados e queridos colegas e amigos,
notícia saída agora no Diário Oficial: o conselheiro Luiz Paulo Faccioli é dispensado do Conselho Estadual da Cultura. A dispensa é assinada pela governadora Yeda Crusius, na forma da lei.
Oficialmente, a governadora passa a alinhar fileiras com sua secretária de cultura, Mônica Leal. Não poderia ser diferente, mas deveria ser diferente, em nome da vergonha a que todos os membros da comunidade cultural estão passando.
Hoje, no jornal Zero Hora, na coluna de Rosane de Oliveira, é relatado que a secretária Mônica Leal envia uma carta àquela coluna, na qual faz uma série de considerações sobre a Jornada Nacional de Literatura e o afastamento do conselheiro Luiz Paulo Faccioli.
Diz Mônica Leal que o projeto tem o apoio do governo do Estado e que do pedido inicial de R$ 1,1 milhão para financiamento pela LIC a Secretaria da Cultura reduziu o valor para R$ 844 mil "para adequá-lo à situação financeira do Estado". Diz mais: que, mesmo o Conselho de Cultura sendo um órgão de Estado, o governo indica um terço dos membros, "que devem se posicionar em consonância com as diretrizes do governo". "Os conselheiros indicados têm compromisso com a administração e se esse compromisso os desagrada, devem se afastar da função, porquanto deixam de estar em sintonia com a política cultural desta gestão", reitera a secretária.
Ora, se 844 mil estão disponíveis para um só evento, não é hora de aceitarmos todos que as finanças do Estado do Rio Grande do Sul
não têm problema algum de gestão?
Outra ponderação: se Mônica Leal acha que os incomodados devem se retirar, por que o governo gasta tempo e dinheiro ao indicar conselheiros para o Conselho Estadual de Cultura? A julgar pelas declarações da secretária, os ritos do CEC são desncessários e dispensáveis, uma vez que todas as decisões são tomadas no gabinete e estão aprovadas a priori.
Uma lástima que se tenha colocado a cultura do Rio Grande do Sul em mãos pouco acostumadas a lidar com os fatos da própria cultura. Além da postura autoritária, que é rechaçada desde sempre por nossa comunidade cultural, todos os órgãos vinculados à Sedac estão jogados às traças. Instituto Estadual do Livro, Teatro de Arena, Cinemateca Paulo Amorim, entre outros, são o mais perfeito espelho do descompasso entre interesses políticos e reais necessidades de nossa comunidade. Os quase 1 milhão de reais que estariam "disponíveis" à Jornada poderiam revitalizar os organismos esquecidos e que, infelizmente, não rendem votos e tapinhas nas costas.
Hora de pensarmos no que tem acontecido. Para não esquecer, principalmente quando nos vierem pedir apoio eleitoral. Por favor, peço àqueles que estiverem de acordo que multipliquem esse texto aí de cima.
Abraços a todos, da
Cíntia Moscovich
PS: Aliás, falando em autoritarismo, parece que se juntou a fome com a vontade de comer. Mas a falta de senso de ridículo.