Um conselheiro do Conselho Estadual de Cultura, colocado no conselho na cota do Estado, recomenda a não-aprovação de um projeto lítero-circense-espetacular de mais de 1 milhão de reais -- evento que cobra ingresso bem cobrado e que proporciona mais do que pão aos convidados, com a proibição de venda de livros a seus 4 mil visitantes.
A partir daí, supõe-se o andar dos fatos. A saber:
A dona do projeto --- uma senhora dada a ser dona de todas as coisas --- vai à Assembléia Legislativa, conclama seus acólitos, esbraveja na porta da governadora do glorioso estado do Rio Grande do Sul.
A governadora chama sua secretária da cultura (a mesma que havia declarado que gostaria de cuidar da segurança, muito mais que da cultura). A secretária da cultura, enroscada, chama sua ajudante-de-ordens e manda que se despeça o desaforado, sob a alegação de que todos os colaboradores do governo devem estar em sintonia com o governo.
Ou seja: voto de cabresto. Como nos moldes dos coronéis do nordeste.
Pode?
Como pode um órgão assim, com membros indicados pelo governo, manter sua isenção e autonomia? A partir de agora, antes de qualquer votação, é melhor ligar para o palácio do governo e perguntar o que fazer.
Gente boa rebaixada à condição de marionetes.