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Quinta-feira, Julho 26, 2007

 

Não é comigo

Precisar, não precisava. Mas já que aconteceu, a tragédia com o vôo da TAM vem me (nos) ensinar algumas coisas que eu (a gente) precisava, enfim, saber. Pena que foi desse jeito.


Primeiro vou contar uma historinha.
No ano passado, no lançamento de um livro meu, inventei de fazer bossa e formei uma mesa-redonda: algumas pessoas apresentariam a nova obra, leriam trechos, coisital.
A tal apresentação seria ao ar livre, o que evidentemente, além de reunir curiosos, faria com que se precisasse de microfone.
Na hora agá, uma mixórdia: os microfones, que pareciam de brinquedo, não funcionvam, o volume era baixo, volta e meia microfonia e aquele barulhão, os rapazes-técnicos giravam todos os botôes do mundo . As pessoas que eu havia convidado tentavam se resolver, todo mundo encabulado, a platéia comovida com a patetice que eu havia arranjado.
Eu? Estava em desesepero.
Meu marido, preocupado, interrompeu a bagunça e anunciou:
— Peraí, meu mano vai dar uma mão.
O “mano” do meu marido, meu cunhado, trabalha com essa coisa de som, conserta aparelhos, instala, remenda, faz e acontece, um bambã da eletrônica. E estava presente, cumprindo o dever de familiar da autora, com o exemplarzinho doado na mão.
Ao contrário do solicitado, meu cunhado deu as costas para ir a algum lugar. Sumiu.
E nós, na mesa, nos viramos aos berros. Abortamos a falação e passamos aos autógrafos.




Quando chegou a vez de meu cunhado receber o autógrafo, perguntei a ele como era que ele tinha dado jeito de sumir na hora da necessidade.
A resposta?
— Sáquié? Já tinha um monte de gente em volta. Eu não queria me meter. Não era comigo, né?
Entende-se: ele não queria se meter.
Não era assunto dele.
Não dá pra enfiar a colher no angu dos outros.



Voltando à tragédia da TAM.
Milton Zuanazzi, presidente da Anac, recebe uma medalha Santos Dumont, por mérito, honraria da aeronáutica por serviços prestados. Logo o Zuanazzi que diz que não tem nada a ver com a tragédia, um avião que se arrebenta e que mata 200 pessoas não é assunto da Anac.
O Marco Aurélio Garcia, assessor da presidência, junto a outro assessorinho, é flagrado diante de um aparelho de tevê, no qual se revela que o airbus da TAM tinha problema num dos reversores. Faz gestos pra lá de obcenos e comemora. A tragédia não é, então, culpa do governo, a TAM e a família dos mortos, e os próprios mortos, que se fodam.
O presidente do Brasil desaparece e não dá sequer os pêsames aos que ficarem. Como está se reestabelecendo de um tersol, não quer meter a colher no angu dos outros.


Aprendi, enfim: tudo é com todos. Não há fato que não diga respeito a qualquer um de nós. A gente vai, se envolve, ajuda, e depois se queixa e reclama --- tudo para não se omitir. Ou a gente aprende de uma vez, ou isso aqui fica pior do que já está.
A sorte do meu cunhado é a de que problemas com microfones não matam ninguém.


Terça-feira, Julho 10, 2007

 

Saneamento básico

Na semana passada, fomos assistir a Saneamento básico, o filme, roteiro e direção do imbatível Jorge Furtado. De se dobrar de rir, e de se ver pensando em como as coisas devem ser feitas: sem o jugo das soluções fáceis. O filme do Jorge pensa o próprio cinema, exercício de metalinguagem sem as besteiras didáticas. O Jorge não se leva tão a sério ao ponto de ficar fazendo filme-cabeça. Ele faz filme-filme, e ainda dá um malho na ordem das coisas. De se aplaudir de pé.
Vale muito a pena ver. Estréia no dia 20.

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Falando em besteira. Quem se atravessou legal em besteira foi um colunista de Zero Hora, hoje. Compara a Flip com a Feira do Livro de Porto Alegre e com a Jornada de Passo Fundo, tecendo loas a essa última. Esquece um detalhe: Parati e Porto Alegre são gratuitas. Em Parati, mesmo quem não tem acesso às salas de debate pode assistir por telão. Já em Passo Fundo é cobrado ingresso. O mais barato a 100 reais.
Ingresso. Inscrição. Para participar da festa da literatura.


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